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Diagnóstico de câncer virou ponto de partida para confeitaria baiana sem açúcar e sem adoçante

A publicitária Gleyde Lucas transformou restrições alimentares impostas pelo tratamento oncológico no motor de um negócio inclusivo que atende de bebês a pacientes em quimioterapia.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Municipios
04 de junho, 2026 · 07:27 3 min de leitura
Portal ChicoSabeTudo
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Uma confeitaria instalada numa cozinha doméstica no bairro do Rio Vermelho, em Salvador, produz bolos, tortas, cheesecakes e cookies que desafiam o paladar de qualquer cliente. O motivo: não há um grama de açúcar cristal, refinado ou adoçante artificial nas receitas. A doçura vem exclusivamente das frutas. Por trás dessa proposta está a publicitária Gleyde Lucas de Jesus, 43 anos, que fundou a Aqueles Sabores Saudáveis em 2021 após enfrentar um diagnóstico de câncer de intestino.

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A história começa em dezembro de 2019. Gleyde trabalhava como coordenadora de comunicação quando recebeu a notícia. O tratamento impôs restrições alimentares severas, entre elas a eliminação do açúcar da dieta. Dois anos depois, ainda em tratamento, ela perdeu o emprego. O que poderia ser só mais um obstáculo tornou-se, segundo ela própria conta ao portal A Tarde, o ponto de partida para um novo caminho: "A vida parou, olhou nos meus olhos e pediu transformação. Vi uma oportunidade de fazer algo e colocar para o mundo."

A necessidade de encontrar doces seguros para o próprio corpo, sem abrir mão do sabor, foi o gatilho. Gleyde começou a desenvolver receitas em casa, adoçando tudo apenas com frutas, e percebeu que a solução poderia ajudar outras pessoas. "Formiguinha que sou, sempre gostei muito de doces e comecei a fazer versões sem açúcar para atender uma necessidade minha depois do diagnóstico. Quando percebi que poderia ajudar outras pessoas, criei essa empresa como um propósito", conta, segundo a reportagem original do A Tarde.

A confeitaria nasceu com foco em produtos baby friendly — doces voltados para bebês a partir dos nove meses, sem açúcar, sem lácteos, sem conservantes e sem trigo. Com o tempo, o público se expandiu: hoje a Aqueles Sabores Saudáveis atende intolerantes à lactose, celíacos e pacientes oncológicos. A frase que resume o negócio foi cunhada pela própria empreendedora: "Excluo ingredientes para incluir pessoas."

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O trajeto, porém, não foi linear. Em 2024, Gleyde enfrentou uma recidiva do câncer. Precisou operar e interromper as atividades da confeitaria por um período. Após a recuperação, retomou a produção e voltou a investir no crescimento do negócio. Para manter a operação funcionando, de acordo com informações divulgadas pelo A Tarde, são necessários cerca de R$ 10 mil em faturamento bruto mensal. O cardápio inclui desde cookies a R$ 15 até bolos festivos que chegam a R$ 480.

O segmento em que Gleyde atua está em plena expansão no Brasil. Dados do setor de confeitaria projetavam uma receita de 11,86 bilhões de dólares em 2024 no país, com crescimento anual estimado em 3,97% até 2029. No recorte mais específico, confeitarias sem açúcar figuram entre os segmentos de crescimento mais acelerado, impulsionados pela busca por hábitos mais saudáveis. Em Salvador, esse movimento já se traduz em novos negócios: múltiplas confeitarias especializadas em produtos sem glúten, sem lactose ou sem açúcar têm aberto as portas nos últimos anos.

A própria Gleyde reconhece a mudança. Segundo ela, há quatro anos o mercado era restrito e os insumos, caros demais para viabilizar o negócio. Hoje, a expansão de lojas de produtos naturais e confeitarias inclusivas em Salvador tornou o cenário mais favorável. E o perfil do cliente mudou também: se antes a procura era quase exclusiva de quem tinha alguma restrição alimentar, agora consumidores sem qualquer limitação também chegam em busca de alternativas mais saudáveis.

O próximo passo, de acordo com informações divulgadas pelo A Tarde, é ampliar a operação. Entre os planos estão a abertura de um espaço físico próprio e a expansão das entregas, que hoje já alcançam diferentes bairros de Salvador. A cozinha segue dentro da própria casa — reformada especialmente para a produção — e é de lá que saem os doces que, a cada encomenda, repetem a mesma lógica: ingredientes de fora, pessoas de dentro.

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