A ativista cultural Arísia Barros, coordenadora do Instituto Raízes de África, publicou uma carta aberta ao prefeito de Maceió, Rodrigo Cunha, exigindo providências para a conclusão da reforma e a marcação da data de inauguração do espaço dos alfarrábios, os tradicionais sebos localizados no paredão da Assembleia Legislativa de Alagoas, no Centro da capital.
O espaço — que a ativista ajudou a nomear como Alfarrábio Cultural "Almerinda Farias Gama" — integra há mais de cinco décadas a paisagem cultural de Maceió, reunindo pontos de venda, troca e compra de livros usados, além de discos e revistas, incluindo exemplares raros. Ao longo do tempo, o local contribuiu para a formação de leitores e para a circulação de obras fora do circuito comercial tradicional, garantindo renda para dezenas de trabalhadores nos quiosques.
Na carta, Arísia relatou uma visita recente ao comerciante Ronaldo, dono de um dos alfarrábios. Segundo ela, o vendedor descreveu que a frente das barracas segue sem cobertura contra sol e chuva, e que bancos na calçada — previstos no projeto original — ainda não foram instalados. No dia da visita, todas as barracas estavam fechadas em pleno horário comercial.
A reforma foi iniciada em junho de 2025. A intervenção ficou a cargo do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Maceió (Iplan), com prazo estimado de três meses para a conclusão, e previa a construção de 18 novos quiosques em estrutura metálica com vedações em placas de cimento. Além disso, a obra incluía calçadas em concreto polido, novos meios-fios, ações de acessibilidade e muralismo temático com foco na literatura, além de intervenções artísticas no muro posterior da Assembleia Legislativa.
Esta não é a primeira vez que Arísia pressiona o poder público sobre o tema. Em abril de 2026, ela já havia publicado outra cobrança pública. Na ocasião, com as obras "quase concluídas" e dez meses após o início da reforma, ela questionou publicamente se já não era hora de inaugurar o Alfarrábio Cultural "Almerinda Farias Gama". A resposta da prefeitura, até a publicação desta carta, não veio.
O nome do espaço carrega história. A denominação foi proposta pelo próprio Instituto Raízes de África em homenagem à alagoana Almerinda Farias Gama, uma das primeiras mulheres negras a atuar na política brasileira, com trajetória como jornalista e sindicalista e participação na Assembleia Nacional Constituinte de 1933 como delegada classista.
Na carta, a ativista pede que a Prefeitura de Maceió faça os ajustes necessários em consonância com o projeto inicial e, em seguida, marque a data da inauguração. Segundo informações divulgadas pelo portal Cada Minuto, Arísia encerrou o texto aguardando resposta do prefeito Rodrigo Cunha à chamada "Carta Um" — deixando aberta a possibilidade de novas cobranças públicas caso o silêncio persista.







