O prazo de 45 dias dado pela Prefeitura de Riachão do Jacuípe para concluir a reforma do Estádio Eliel Martins, o Valfredão, venceu no último sábado (3) sem que a obra fosse entregue. O prefeito Carlinhos Matos (União) havia estabelecido essa meta em 19 de agosto.
Segundo fontes ligadas à Prefeitura, a empresa contratada está na fase de finalização das intervenções, e a gestão municipal assumiu a responsabilidade pelos retoques finais. A administração informou que uma etapa do acabamento foi concluída no domingo (4) e que novas informações oficiais sobre a entrega devem ser divulgadas ao longo desta semana.
Uma apuração no local constatou que o estádio ainda apresenta diversos setores inacabados. Há acúmulo de entulho de obra espalhado, paredes com sinais de infiltração e sem acabamento. A parte externa está coberta predominantemente por pintura branca incompleta, com trechos de alvenaria exposta e tijolos à mostra. As arquibancadas já receberam pintura, mas o gramado segue sem os retoques finais, com trechos secos e desgastados.
Para ser liberado para jogos oficiais, o Valfredão ainda precisa de laudos técnicos obrigatórios de engenharia e estrutura, segurança, prevenção contra incêndio e condições sanitárias, conforme exigências da legislação nacional e do Manual de Competições da CBF. Também são necessárias adequações nas arquibancadas e acessos, atestado de qualidade do piso de jogo, drenagem, instalações de vestiários e arbitragem, além de estrutura para transmissão, iluminação para jogos noturnos e bilheteria funcional.
O Jacuipense não atua no Valfredão desde 25 de janeiro de 2024, quando venceu o Atlético de Alagoinhas por 3 a 2 pela terceira rodada do Campeonato Baiano daquele ano. Desde então, o clube tem mandado seus jogos em Pituaçu, em Salvador, e na Arena Cajueiro, em Feira de Santana. Diretoria e atletas já manifestaram publicamente o impacto de jogar longe de casa.
"Muitas vezes o torcedor não entende, só quer cobrar. Mas o que a gente vem fazendo nesses últimos dois anos é algo que tenho certeza que nenhum time do Brasil faz. A gente joga dois anos longe da nossa casa. Uma reforma com dois anos para ficar pronta é um absurdo. Chegamos na quinta fase da Copa do Brasil batendo de frente com os grandes. Esse ano não perdemos para Bahia e Vitória. Mas jogar longe do nosso torcedor faz total diferença. É um apelo. Não sei a quem cobrar, mas o Jacuipense precisa que essa obra seja concluída", disse o goleiro Marcelo.
A reforma é financiada por emenda parlamentar do deputado federal Paulo Azi (União), com recursos liberados em julho de 2025. Segundo a apuração, a obra foi desacelerada por entraves logísticos alegados pela Construtora Santa Izabel e por períodos de crise hídrica na região. A Prefeitura já emitiu notificações formais cobrando o cumprimento do contrato.
O Jacuipense já tem vaga garantida na Série A do Campeonato Baiano de 2027 e na Série D do Campeonato Brasileiro do mesmo ano. A liberação do estádio é apontada como fator determinante para o planejamento esportivo do clube na próxima temporada. Caso a obra não seja homologada e vistoriada a tempo pelos órgãos de segurança e pela Federação Bahiana de Futebol, o Jacuipense corre o risco de iniciar mais um ano mandando seus jogos longe do torcedor. O prazo para o clube informar seus mandos de campo à FBF termina no próximo sábado (10).
A reportagem segue acompanhando os desdobramentos das obras e aguarda o posicionamento oficial prometido pela Prefeitura de Riachão do Jacuípe para esta semana.







