A confusão que marcou o jogo entre Vitória e Palmeiras, no dia 29 de julho, no Barradão, em Salvador, não ficou só no campo. O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) denunciou três representantes do Vitória pelos acontecimentos da partida contra o Palmeiras, válida pela 21ª rodada do Campeonato Brasileiro. Além dos jogadores Cacá e Luan Cândido, o presidente Fábio Mota e o próprio clube também responderão perante a Justiça Desportiva.
O julgamento acontecerá na próxima terça-feira (4), às 10h, pela 2ª Comissão Disciplinar do STJD. Além dos representantes do Rubro-Negro, o meia Maurício, do Palmeiras, também responderá ao processo.
O Palmeiras venceu o Vitória por 4 a 0, na noite de quarta-feira, pela 21ª rodada do Campeonato Brasileiro, em partida recheada de polêmicas com a arbitragem. O Leão da Barra teve dois jogadores expulsos e reclamou da conduta do árbitro Alex Gomes Stefano durante a partida. A reclamação rubro-negra ficou também em torno de um possível cartão vermelho não aplicado a Maurício, do Palmeiras, antes dos lances que mudaram completamente o cenário da partida.
Na súmula da partida, o árbitro anotou que Cacá atingiu a canela de Jhon Arias com as travas da chuteira usando força excessiva e que Luan Cândido fez um gesto de roubo com as mãos. O zagueiro foi punido aos 37 minutos do primeiro tempo, enquanto o lateral, aos 40.
Expulso durante o confronto, Luan Cândido foi denunciado com base no artigo 243-F do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que trata de ofensas à honra relacionadas ao esporte. O enquadramento ocorreu após o atleta fazer um gesto de "roubo" em direção à arbitragem. Caso seja condenado, ele poderá receber multa entre R$ 100 e R$ 100 mil, além de suspensão de quatro a seis partidas.
Já o zagueiro Cacá responderá ao artigo 254, por praticar jogada violenta. A denúncia faz referência ao lance envolvendo o meia Arias, do Palmeiras. A punição prevista varia de uma a seis partidas de suspensão.
Outro denunciado é o presidente do Vitória, Fábio Mota. O dirigente foi enquadrado no artigo 258, que prevê punição por conduta contrária à disciplina ou à ética desportiva, em razão das declarações feitas após o apito final sobre a atuação da arbitragem. A pena pode variar entre 15 e 180 dias de suspensão. Em protesto contra a arbitragem, o gestor cancelou a entrevista coletiva do técnico Jair Ventura e dos jogadores na zona mista, além de fazer um pronunciamento detonando os árbitros e prometendo uma representação formal à Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
Em maio deste ano, Fábio Mota já havia sido punido pelo mesmo artigo e cumpriu afastamento de 15 dias. Desta vez, a pena pode ser muito mais severa, já que o teto do artigo chega a seis meses de suspensão.
A apuração indica que a denúncia contra o clube está relacionada à ausência da zona mista para entrevistas dos jogadores após o encerramento da partida, procedimento previsto no regulamento do Campeonato Brasileiro. O clube foi denunciado no artigo 191 do CBJD, por supostamente deixar de cumprir ou dificultar o cumprimento de regulamento. Em caso de condenação, a sanção prevista é apenas financeira, com multa que pode variar de R$ 100 a R$ 100 mil.
O meia Maurício também foi denunciado pelo STJD em função da cotovelada em Cacá durante o primeiro tempo da partida. No lance, o zagueiro do Vitória precisou levar cinco pontos no queixo, mas o jogador do Palmeiras recebeu apenas cartão amarelo. O camisa 18 foi enquadrado no artigo 254 do CBJD, por "praticar jogada violenta", cuja pena varia de uma a seis partidas de suspensão.







