Quando Sérgio Papellin chegou ao Vitória, em janeiro de 2026, o que ele encontrou não foi um elenco animado. Segundo o próprio diretor de futebol, o clima era de preocupação e insegurança, reflexo direto da temporada anterior, quando o clube baiano escapou do rebaixamento somente na última rodada do Brasileirão.
Em entrevista ao portal ge, Papellin fez um balanço dos primeiros meses à frente do departamento de futebol do clube baiano. O dirigente afirmou que pretende buscar até três reforços na próxima janela de transferências e explicou que as movimentações dependerão diretamente das saídas que forem concretizadas no elenco.
Para o diretor, o trabalho de recomposição do grupo foi gradual. Ele destacou o aproveitamento de jogadores formados na base durante o Campeonato Baiano e a melhora progressiva do ambiente. Hoje, na avaliação de Papellin, o Vitória tem um grupo mais maduro e competitivo — especialmente no Barradão. O clube aparece como um dos melhores mandantes da Série A até aqui, com quatro vitórias em cinco jogos em casa.
Sobre a segunda janela de transferências, que abre no dia 20 de julho, o dirigente foi direto: antes de pensar em contratar, o clube precisa enxugar a folha salarial. "Ninguém está falando ainda em contratação. Estamos falando em liberar jogador para sobrar dinheiro para contratar", afirmou.
O perfil de reforço que Papellin busca também foi detalhado. O executivo criticou o modelo de contratação de "jogadores medalhões" e afirmou que o Vitória precisa buscar atletas mais jovens. A tendência é repetir o modelo das contratações de Renê e Zé Vitor — jogadores que chegaram sem muito alarde e que a torcida inicialmente criticou por serem desconhecidos.
Na mesma entrevista, Papellin confirmou que o atacante Kike não ficará no clube. Segundo o diretor, o jogador não teve bom aproveitamento e já foi liberado para as férias com encaminhamento de rescisão contratual. A situação do meia Renzo ainda não está definida: o dirigente disse que vai observar mais o atleta até a parada da Copa do Mundo, ponderando que o salário do jogador está acima do que o clube considera adequado para o atual orçamento.
Também foi descartada a contratação do zagueiro Arboleda, do São Paulo. Papellin explicou que o negócio foi oferecido pelo empresário do atleta, mas que o custo salarial do defensor é incompatível com a realidade financeira do Rubro-Negro. "Não temos condição de arcar com salário de jogador desse nível", segundo informações divulgadas pelo ge.
Vivendo seu terceiro ano seguido na Série A após um período fora da elite, o Vitória já supera a média de permanência de equipes que retornam à primeira divisão. Para Papellin, o grande desafio da gestão é "fazer um time muito competitivo gastando pouco" — e ele reconhece que não é simples, mas aponta evolução nos indicadores em relação às temporadas anteriores.
A escolha pelo dirigente levou em conta sua experiência com o mercado de clubes nordestinos. Além do Fortaleza, Papellin passou por Paysandu, Cuiabá, América-RN, Luverdense e Remo, acumulando 13 títulos na carreira. Ele chegou ao Barradão em substituição a Gustavo Vieira, com contrato de um ano e cláusula de renovação em caso de permanência na Série A.







