Sérgio Papellin, diretor de futebol do Esporte Clube Vitória, fez questão de destacar a divisão de base do clube, apontando-a como um pilar fundamental para o futuro do time. Para ele, o Leão precisa urgentemente resgatar seu DNA de “clube formador”, investindo pesado na garotada e trabalhando para que esses atletas consigam mostrar seu valor no elenco principal.
O dirigente lembrou com carinho os tempos em que acompanhava a base rubro-negra e via surgir nomes que se tornaram ídolos. “Eu sou da época que acompanhava o Vitória na base. David Luiz, Paulo Isidoro, Marcelo Moreno, Hulk. Vitória sempre foi um clube formador”, afirmou Papellin, citando também Ramon Menezes, Dida e Vampeta como exemplos da fábrica de talentos do clube baiano.
Base como solução para o desafio financeiro
Em um cenário do futebol brasileiro onde os custos só aumentam, a base se apresenta como uma alternativa estratégica para manter o equilíbrio financeiro. Papellin foi direto ao explicar a situação atual:
Futebol brasileiro está muito caro, chegou no patamar que ficou inviável, qualquer jogador mediano quer ganhar R$ 400, 500 mil. Tem que ter equilíbrio financeiro com a garotada da base.
A ideia é que os jovens formados no clube ajudem a compor o elenco, reduzindo a necessidade de contratações caras e diminuindo a folha salarial. Essa visão já está sendo colocada em prática, com uma meta clara estabelecida pelo presidente Fábio Mota.
Fábio sabiamente já determinou que 30% do elenco vai ser formado pela base.
Essa porcentagem reforça o compromisso do Vitória em valorizar seus talentos internos e criar um caminho claro para eles no time de cima.
Paciência e coragem para lançar novos craques
Contudo, o caminho para o sucesso da base exige paciência, algo que nem sempre o torcedor tem de sobra. Papellin comparou a situação atual com a de anos atrás, quando havia campeonatos Sub-23 que ajudavam os jogadores a amadurecer antes de chegar ao profissional.
Geralmente o torcedor tem pouca paciência com a base. Antigamente tinha campeonato sub-23 para maturar. Hoje o garoto tem que se destacar e entrar de cara no time principal. Tem que ter convicção. Jogador, quando tem talento, sempre vai se destacar. Treinador tem que ter coragem de lançar e bancar.
O diretor enfatizou que é preciso ter fé no potencial dos jovens e que o treinador precisa ter a "coragem" de lançá-los e dar o suporte necessário. Ele citou o caso de Hércules, um atleta que se destacou, foi levado para treinar com o time principal e, após ser comprado do Atlético-CE, foi vendido ao Fluminense, gerando uma “venda espetacular” para o clube. Esse tipo de transação ajuda a fazer caixa, essencial para a manutenção do Vitória.
A diretoria do Vitória, portanto, tem como pilar a convicção nos jogadores da base e espera que os treinadores sigam essa diretriz, buscando revelar talentos não apenas para fortalecer o elenco, mas também para gerar receita, seguindo o modelo de sucesso de outros grandes clubes que utilizam a formação de atletas como uma fonte vital de recursos.







