O Esporte Clube Vitória, na Bahia, teve que lutar até o último minuto para garantir sua permanência na elite do futebol, escapando do rebaixamento na rodada final do campeonato. Com uma vitória apertada de 1 a 0 sobre o São Paulo no Barradão e alguns tropeços de seus rivais, o clube conseguiu se manter. Após essa jornada tensa, o técnico Jair Ventura abriu o jogo sobre a realidade financeira dos times brasileiros, destacando a dificuldade que enfrentam aqueles que não contam com o investimento da Sociedade Anônima do Futebol (SAF).
Para Jair Ventura, a questão principal não é geográfica, mas sim de investimento. Ele argumenta que o talento não tem fronteiras e que o verdadeiro divisor de águas é a capacidade financeira dos clubes.
“Nossa grande responsabilidade não é sobre a região, é sobre investimento. É como falar de treinadores estrangeiros. Não importa onde você nasceu, importa se você é bom. Existem treinadores bons e ruins em todos os lugares, não dá para colocar todo mundo em um pacote. A dificuldade não é do Nordeste, é das equipes com menos orçamentos.”
O treinador fez uma comparação forte, apontando que clubes como Palmeiras e Flamengo estão ficando cada vez mais dominantes no cenário nacional, criando um abismo financeiro semelhante ao de gigantes europeus como Barcelona e Real Madrid. Ele usou o exemplo do Botafogo, que, mesmo com um histórico de dificuldades, conseguiu se reerguer e conquistar um título após se tornar SAF.
“Você tem Palmeiras e Flamengo cada vez mais fortes, estão virando Barcelona e Real Madrid. Ano passado teve o Botafogo que quebrou, mas conseguiu o título depois de virar SAF. A gente sabe que a realidade dos clubes é muito difícil se você não tiver o apoio da SAF.”
Jair Ventura reconhece que existem exceções. Ele citou o Mirassol, que, mesmo sem ser SAF e com um orçamento modesto, surpreendeu a todos na Série A, terminando em um impressionante 4º lugar. Contudo, o técnico reforçou que esses casos são raros e cada vez mais difíceis de se repetir. Ele também mencionou outro exemplo baiano: o Bahia, na Bahia, que virou SAF e hoje é o único time do Nordeste garantido na Libertadores de 2026, mostrando o impacto positivo desse modelo de gestão.
A diferença de recursos é gritante, segundo Ventura, e afeta diretamente a margem de erro dos times menores.
“Quantas vezes aparece um trabalho como o do Mirassol? É cada vez mais difícil. Vai ser sempre muito difícil equiparar essa força. Nosso vizinho [Bahia] virou SAF, tem mais orçamento, estrutura, voo fretado. É difícil, mas a gente sabe que a paixão é igual. Acho que não tem essa de região, é mais sobre a situação financeira. Aqui a margem de erro é muito pouca.”
Ele finalizou refletindo sobre a importância da continuidade no trabalho dos treinadores, um desafio constante no futebol brasileiro. Jair Ventura sabe que, mesmo com a paixão dos torcedores sendo igual em todos os lugares, a realidade financeira dita muitas regras no esporte.
“A continuidade do trabalho também ajuda. Teve ano que eu livrei do rebaixamento e caí depois com cinco jogos do estadual. Não vamos mudar o futebol, então vamos seguir aí. Espero ajudar mais times com seus objetivos.”O desabafo de Jair Ventura destaca um tema crucial para o futuro do futebol nacional: a necessidade de investimentos e a adaptação dos clubes aos novos modelos de gestão para conseguirem competir de igual para igual.







