O governo da França subiu o tom nesta sexta-feira (27) contra a decisão do Comitê Olímpico Internacional (COI) de retomar os testes genéticos de feminilidade. A medida, que deve valer para os Jogos Olímpicos de Los Angeles em 2028, põe fim a um hiato de quase 30 anos sem esse tipo de exame obrigatório.
A ministra dos Esportes francesa, Marina Ferrari, não poupou críticas e classificou a novidade como um verdadeiro retrocesso. Segundo ela, a proposta traz sérios riscos médicos e jurídicos, além de bater de frente com as leis de bioética da França, que são bastante rigorosas quanto a esse tipo de procedimento.
A grande preocupação das autoridades é o impacto que esses testes terão sobre atletas transgêneros e pessoas intersexo. O governo francês acredita que a retomada dos exames cria barreiras que ignoram a diversidade biológica e podem ferir a privacidade e a dignidade das competidoras.
Esses testes de verificação de sexo foram aplicados oficialmente entre as décadas de 60 e 90, mas acabaram suspensos em 1999 após uma enxurrada de críticas de cientistas. Na época, especialistas já questionavam se os exames eram realmente eficazes para garantir a justiça nas competições.
A mudança de postura do COI acontece em um momento de forte pressão política nos Estados Unidos, país que sediará as próximas Olimpíadas. O debate sobre a participação de mulheres trans no esporte tem ganhado força e parece ter influenciado a nova gestão da entidade internacional.
Por enquanto, o Ministério dos Esportes da França reforça que é preciso buscar um equilíbrio. Para os franceses, a justiça no esporte não pode passar por cima do respeito à integridade física e ao bem-estar de quem dedica a vida aos treinos e às competições.







