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Esportes

Fonte Nova recebe ato contra violência doméstica em Salvador

Ação após vitória sobre o Internacional reforça alerta de estudo já mostrado sobre aumento de agressões em dias de jogo

Redação ChicoSabeTudo
30 de agosto, 2026 · 22:50 3 min de leitura

O Esporte Clube Bahia realizou um ato contra a violência doméstica na Arena Fonte Nova, em Salvador. O gesto aconteceu logo após a vitória do time por 3 a 2 sobre o Internacional, válida pela 25ª rodada do Campeonato Brasileiro. Um grupo de aproximadamente 180 mulheres ocupou um setor das arquibancadas e permaneceu no local depois do apito final.

O lema da campanha, segundo divulgado pelo clube, foi voltado a defender o futebol como espaço contrário à violência doméstica. A ideia por trás do movimento foi evidenciar que, para várias mulheres no Brasil, ir ao estádio pode representar mais segurança do que ficar em casa justamente nos dias de jogo.

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O ato dá continuidade a uma discussão já levantada anteriormente sobre o crescimento de casos de violência doméstica em Salvador associados a partidas de futebol. Um levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), divulgado em agosto e em sua segunda edição, atualizou os números dessa relação em cinco capitais brasileiras: Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre.

De acordo com a pesquisa, que reúne dados coletados entre 2023 e 2025, os registros de lesão corporal por motivo de violência doméstica crescem 28,8% nos dias em que há jogos. As notificações de ameaça também sobem, com alta de 27,4% no mesmo período. Comparado à primeira edição do estudo, feita com dados de 2015 a 2018, os índices atuais são mais altos: antes, o crescimento era de 23,7% nas ameaças e 20,8% nas agressões físicas. Hoje, os casos de agressão física já ultrapassam os de ameaça verbal.

O levantamento também trouxe recortes por faixa etária e cor. Entre mulheres de 15 a 29 anos, o crescimento nas notificações de ameaça e lesão chega a 44% em dias de partida. Quando o episódio acontece dentro da própria residência, o aumento é de 35,1% nos casos de lesão e 26,8% nos de ameaça.

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Ao considerar a cor das vítimas, mulheres brancas apresentam alta de 30,9% em lesões e 36,2% em agressões nos dias de jogo. Já entre mulheres negras, o crescimento é de 23,2% em lesões e 14,6% em agressões. As ameaças costumam se concentrar mais às segundas, domingos e sextas-feiras, enquanto as lesões corporais ocorrem com mais frequência aos sábados e domingos.

A coordenadora de gênero e raça do FBSP, Juliana Brandão, comentou a relação entre o esporte e esse tipo de violência. "O futebol não gera violência doméstica. Mas catalisa para quem já vive em situação de grande vulnerabilidade", disse.

O estudo do FBSP apresenta ainda dez recomendações voltadas a clubes, federações e órgãos públicos para lidar com o problema. Entre as sugestões estão a instalação de pontos de denúncia dentro dos estádios, integração entre instituições responsáveis, acompanhamento de casos de reincidência, ações educativas sobre masculinidade, cuidados com consumo de álcool e apostas, incentivo a uma torcida mais acolhedora, trabalho de desenvolvimento emocional, capacitação de atletas, regras internas nos clubes e responsabilização de integrantes das torcidas organizadas.

Relembre: Salvador: violência contra mulher sobe 28,8% em dias de jogo

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