O sonho de parte da torcida do Vitória de ver o clube adotar o modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF) esbarrou em um obstáculo que não depende do próprio clube: a falta de apetite do mercado pelo Brasil. Em entrevista ao Canal do Dinâmico, o presidente Fábio Mota foi categórico ao afirmar que não há investidores dispostos a apostar no modelo nos próximos anos.
"Não tem projeto de investimento para nenhum clube de SAF no Brasil nos próximos anos. Não tem. Eles não acreditam", declarou o dirigente. Segundo ele, o Vitória está aberto à chegada de investidores, mas ninguém se apresentou com uma proposta concreta.
Para embasar a afirmação, Mota detalhou uma agenda intensa de viagens ao exterior. De acordo com o gestor, ele esteve na Inglaterra, na Alemanha, na Espanha e em Nova York, onde também visitou representantes da MLS, buscando conversar com potenciais interessados. Mesmo assim, nenhum projeto avançou.
Na avaliação do presidente, os casos envolvendo a 777 Partners no Vasco e John Textor no Botafogo funcionaram como um freio para novos entrantes. A 777 perdeu o controle do Vasco rapidamente na Justiça, mesmo após investimentos significativos, gerando um clima de insegurança jurídica que preocupa o mercado internacional. "Os exemplos da 777 no Vasco e de John Textor no Botafogo botou todo mundo para correr", disse Mota.
O cenário apontado pelo presidente do Vitória é corroborado por especialistas e analistas do setor. O acionista majoritário do Botafogo enumerou falhas na Lei da SAF que geraram impedimentos para receber verbas previstas no futebol, e analistas avaliam que essa insegurança jurídica pode provocar o afastamento de atuais e futuros investidores do futebol brasileiro.
Não é de hoje que Fábio Mota demonstra reservas em relação ao modelo. Em declarações anteriores, o dirigente já deixou claro que não é contrário à SAF em si, mas a um modelo que preveja o controle do futebol exclusivamente nas mãos do investidor — ele defende uma estrutura compartilhada entre o clube e o sócio parceiro.
Reeleito para a presidência do Vitória com mandato até o final de 2028, Mota afirmou que o planejamento do clube passa pela permanência na Série A e pela busca pelo equilíbrio financeiro, com expectativa de chegar a 2029 com as finanças saneadas e em condições de ampliar os investimentos no futebol.
Por ora, a SAF no Leão da Barra segue como um desejo sem data. O mercado, segundo o próprio presidente, ainda não acredita no Brasil — e os conflitos judiciais que marcaram as experiências de outros clubes explicam, em boa parte, esse recuo.







