O presidente do Vitória, Fábio Mota, causou burburinho nesta quarta-feira (10), durante uma coletiva de imprensa no Barradão, em Salvador, na Bahia. Ao falar sobre a diminuição de times nordestinos na Série A do Campeonato Brasileiro, ele não perdeu a chance de alfinetar o arquirrival Bahia, afirmando que o Leão da Barra é o único representante genuíno da região na elite do futebol nacional.
A razão para a provocação, segundo Mota, é a aquisição do Bahia pelo Grupo City, conglomerado inglês que também é dono do Manchester City. Para o presidente rubro-negro, esse investimento externo tira a identidade 'nordestina' do Esquadrão.
“Hoje, você só tem uma equipe que representa o Nordeste no futebol [na Série A]. O Vitória é a única equipe que representa hoje o futebol nordestino. Porque o outro [Bahia] é da Inglaterra. Não é nordestino”
disse Fábio Mota, em uma clara referência ao controle do Grupo City sobre o clube tricolor.
Desafios do futebol nordestino
Além da rivalidade, Fábio Mota também abordou as dificuldades enfrentadas pelos clubes do Nordeste para se manterem na principal divisão do futebol brasileiro. Ele citou os rebaixamentos recentes de equipes como Sport, Fortaleza e Ceará como prova desses obstáculos.
O presidente do Vitória destacou dois pontos cruciais que, em sua visão, prejudicam os times da região: a logística complicada e a falta de investimento para competir de igual para igual com os gigantes do Sul e Sudeste do país.
- Logística e viagens: Mota explicou que as longas distâncias para os jogos fora de casa são um problema sério. Voos fretados, que seriam ideais para otimizar o tempo e a recuperação dos atletas, custam uma fortuna – cerca de R$ 1 milhão por viagem. “Se você for fretar 19 voos, são R$ 19 milhões. Quando você vai para o Rio Grande do Sul, leva o dia inteiro viajando. Na volta, a mesma coisa. Para você ir para Chapecó-SC, Belém. O Nordeste, por estar longe do eixo Sul lá todo, Rio-São Paulo, Minas Gerais e tal, as viagens são longas, o tempo de recuperação é mais difícil”, avaliou.
- Falta de investimento: Outro ponto levantado por Mota é a concentração de recursos financeiros e grandes patrocinadores nas regiões mais ricas do Brasil. “E também por uma coisa simples: a renda per capta do Brasil, em grana, está lá, não aqui. As maiores folhas estão lá, os maiores investimentos estão lá. Esses são problemas”, completou ele, sublinhando a desvantagem econômica dos clubes nordestinos.
A fala de Fábio Mota revela não apenas a paixão e a intensidade da rivalidade Ba-Vi, mas também joga luz sobre as complexas questões estruturais que os times do Nordeste precisam superar para brilhar no cenário nacional do futebol.







