Paulo Afonso · BA
Última hora
Operação prende 14 suspeitos em Salvador nesta manhãSTF retoma julgamento sobre marco temporal nesta tardeVitória empata em casa pela Copa do BrasilVagas de emprego no polo de Camaçari saltam 22%Salvador registra maior volume de chuva do mês
PI 637
Esportes

Comentarista questiona retorno esportivo do Bahia ao Grupo City após eliminações em série

Com o Esquadrão fora da Libertadores e da Copa do Brasil, jornalista da SporTV levanta dúvidas sobre o que o clube oferece aos investidores e o futuro de Rogério Ceni

Redação ChicoSabeTudoRedação · Esportes
16 de maio, 2026 · 15:36 3 min de leitura
Portal ChicoSabeTudo
Portal ChicoSabeTudo

O momento difícil do Esporte Clube Bahia na temporada 2026 ganhou repercussão nacional. Durante o programa Redação SporTV, o jornalista Francisco Aiello questionou abertamente qual retorno esportivo o clube baiano está oferecendo ao Grupo City diante do volume de recursos investidos desde a criação da SAF, em 2023.

Publicidade

O ponto de partida da análise são as eliminações recentes. O Bahia foi eliminado na primeira fase da Pré-Libertadores pelo O'Higgins, do Chile, e não conseguiu nem a vaga na fase de grupos da Copa Sul-Americana. Na sequência, o Tricolor saiu derrotado pelo Remo na Copa do Brasil. No Mangueirão, em Belém, o clube até abriu o placar, mas cedeu a virada por 2 a 1 e foi eliminado com placar agregado de 5 a 2.

O impacto financeiro é expressivo. Ao todo, considerando Copa do Brasil e Libertadores, o Bahia soma R$ 4,6 milhões em premiações na temporada 2026. A diferença em relação ao ano anterior é expressiva: em 2025, somando Copa do Brasil, Libertadores e Sul-Americana, o Tricolor arrecadou aproximadamente R$ 39,8 milhões em premiações. A queda representa uma redução de mais de 88% nas receitas ligadas a desempenho esportivo.

Com a agenda esvaziada, o clube baiano só disputará o Campeonato Brasileiro no restante do ano. É nesse contexto que Aiello colocou em xeque o planejamento esportivo do Esquadrão. Segundo o jornalista, quem investe espera retorno, seja pela conquista de títulos, seja pela visibilidade de campanhas em torneios continentais. A participação apenas no Brasileirão levanta a pergunta: será que uma vaga na fase de grupos da Libertadores de 2027 basta para satisfazer o tamanho do aporte do Grupo City?

Publicidade

O comentarista também mencionou o trabalho do técnico Rogério Ceni e o debate sobre a continuidade do treinador. Para Aiello, vale acompanhar nos próximos dias se o clube manterá o comando técnico ou se as eliminações acelerarão uma mudança. Depois da derrota para o Remo, o próprio Ceni falou abertamente sobre o tamanho do prejuízo financeiro sofrido pelo clube e destacou que o impacto dificilmente será revertido ainda em 2026. "O que podemos é tentar chegar ao melhor lugar possível em dezembro para ir para Libertadores pelo terceiro ano seguido", afirmou o treinador.

O investimento do Grupo City no Bahia é um dos maiores do futebol nordestino. O Bahia, gerido pelo Grupo City, tem sido um dos clubes que mais investiu nas últimas duas temporadas, com cerca de R$ 180 milhões em reforços desde 2024. Além disso, desde 2023, considerado o "ano zero" da SAF, o investimento anual nas categorias de base praticamente triplicou. Até 2022, o clube operava com no máximo R$ 10 milhões destinados à base. A partir da entrada do Grupo City, os valores saltaram para R$ 22 milhões em 2023, R$ 25 milhões em 2024 e R$ 27 milhões em 2025.

Do lado positivo, a parceria firmada em maio de 2023 trouxe avanços estruturais. Em menos de um ano, mais de 85% da dívida histórica foi quitada, devolvendo ao Bahia capacidade de investimento e planejamento a longo prazo. O Esquadrão garantiu presença na Libertadores pelo segundo ano consecutivo, algo inédito em sua história, consolidando-se como o clube nordestino com mais presenças no torneio continental. Porém, as quedas precoces em 2026 jogam luz sobre a distância entre o investimento e os resultados esportivos concretos que os acionistas esperam colher.

O debate levantado na SporTV reflete uma tensão crescente em torno do projeto tricolor. Com apenas o Brasileirão pela frente, o Bahia tem até dezembro para mostrar ao Grupo City que o planejamento segue no rumo certo — e para responder, em campo, à questão que o jornalista Francisco Aiello deixou no ar.

Leia também