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Esportes

CEO banca R$ 1 milhão do próprio bolso e SAF do Atlético de Alagoinhas ainda não tem CNPJ

Atrás dos protestos por salário e do rebaixamento histórico do Carcará, uma transição societária travada por dívidas ocultas e burocracia define o futuro do clube baiano.

Redação ChicoSabeTudo
25 de julho, 2026 · 00:09 3 min de leitura
Estádio do Atlético de Alagoinhas, o Carneirão, em dia de jogo
Estádio do Atlético de Alagoinhas, o Carneirão, em dia de jogo

O Atlético de Alagoinhas viveu em 2026 uma das piores temporadas de sua história. O rebaixamento para a segunda divisão do Campeonato Baiano marca a terceira queda da equipe em toda a sua trajetória — e ocorre apenas quatro anos após o bicampeonato estadual consecutivo. Mas o que aconteceu nos bastidores vai além dos resultados ruins em campo.

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O clube amargou a última colocação no Campeonato Baiano de 2026, sem vencer nenhuma das 10 partidas disputadas. Na Série D do Brasileirão, o Carcará somou apenas 5 pontos em 9 jogos, com apenas uma vitória, dois empates e seis derrotas, sendo eliminado matematicamente na fase de grupos. Sem calendário para o segundo semestre, a crise financeira veio à tona.

Em junho, um grupo de jogadores foi à casa do presidente da Associação, Albino Leite, cobrar salários atrasados. Documentos que circulavam entre os atletas revelavam que a dívida referente ao elenco já se aproximava dos R$ 150 mil. O episódio expôs publicamente o colapso financeiro do clube — mas o que a torcida ainda não sabia é de onde vieram os recursos para apagar esse incêndio.

Segundo apuração do Bahia Notícias, o CEO da TLS Sports, Edgar Terles Hecke, injetou mais de R$ 1 milhão do próprio bolso para garantir a sobrevivência imediata do Atlético de Alagoinhas. Os atletas que assinaram os documentos de rescisão tiveram seus valores quitados com esse aporte pessoal — não com recursos da Associação.

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A pergunta que surge naturalmente é: por que o dinheiro não veio da SAF? A resposta está na burocracia. O Atlético de Alagoinhas havia anunciado a transformação em Sociedade Anônima do Futebol com a venda de 90% de suas ações para o grupo TLS Sports em setembro de 2025, em um acordo que previa aporte inicial de R$ 20 milhões, podendo alcançar R$ 60 milhões. Só que essa SAF, na prática, ainda não existe formalmente.

Lucas Pinheiro, advogado da TLS Sports, explicou ao Bahia Notícias que a formalização foi travada por dívidas que não constavam nos relatórios preliminares — os chamados "esqueletos no armário". Segundo ele, "a SAF do clube não existe", o que existe é um processo de formação, e o CNPJ deve ser concluído em até dois meses. Dívidas de anos anteriores, cobradas por atletas como condição para assinar contrato, foram minando o planejamento financeiro ao longo do tempo.

Com as rescisões encaminhadas e sem mais jogos em 2026, o foco do clube para o segundo semestre é exclusivamente administrativo. A expectativa é que, com o CNPJ em mãos, a TLS Sports assuma oficialmente o comando e dê início ao plano de reestruturação previsto em contrato. As prioridades incluem o mapeamento completo das dívidas, a recuperação da infraestrutura e a montagem de elenco para tentar o acesso à elite baiana em 2027.

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O clube de Alagoinhas encerrou um ciclo de oito anos ininterruptos na Série A do Baianão da pior forma possível. Agora, com a SAF ainda no papel e a burocracia dando o ritmo, resta ao Carcará torcer para que os próximos dois meses tragam mais do que promessas.

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