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Esportes

Bahia terá temporada de 2026 mais exigente, analisam comentaristas

Com calendário mais leve e sem 'títulos de compensação', o Bahia de 2026 enfrenta cobrança maior por resultados em grandes torneios, segundo analistas.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Esportes
10 de dezembro, 2025 · 03:02 4 min de leitura
Foto: Letícia Martins / EC Bahia
Foto: Letícia Martins / EC Bahia

O Esporte Clube Bahia se prepara para a temporada de 2026 com um novo cenário à frente. Depois de um 2025 intenso, com 80 jogos – o maior número do país – que incluiu o retorno à Libertadores, a conquista inédita do Campeonato Baiano e da Copa do Nordeste no mesmo ano (feito que não acontecia desde 2001), e a melhor campanha de um time baiano na era dos pontos corridos (7º lugar com 60 pontos), o Tricolor de Aço agora enfrenta uma realidade diferente. Para o próximo ano, o calendário será mais leve, sem a Copa do Nordeste, e com o Campeonato Brasileiro começando mais cedo, em 28 de janeiro.

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Diante desse panorama, o portal Bahia Notícias conversou com três comentaristas esportivos – Cáscio Cardoso (BARFC), Brenner Menezes (Sociedade) e Caio Leony (TV Aratu) – para entender o que esperar do Esquadrão em 2026. A principal mensagem é clara: menos jogos não significam menos pressão, mas sim uma cobrança maior por resultados em competições de elite.

Foco em desempenho de alto nível: sem “títulos de compensação”

Para Cáscio Cardoso, 2026 será um ano “muito desafiador”. Ele destaca a necessidade urgente de o Bahia melhorar a competitividade em jogos fora de casa e, especialmente, nos duelos eliminatórios. Cardoso lembra que, nas eliminações de 2025, o time teve um comportamento “inexplicável” e bem abaixo do esperado.

“Eu acho que 2026 vai ser uma temporada muito desafiadora para o Bahia. Além das questões em que a gente já sabe que o clube precisa evoluir — como ser um time mais competitivo fora de casa e em momentos agudos de decisão —, vimos que, nos jogos eliminatórios em que o Bahia caiu, ele não só foi eliminado, mas teve um comportamento inexplicável e muito abaixo daquilo que o jogo pedia”, disse Cardoso.

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Ele aponta que o clube precisa mudar a forma como se impõe fisicamente e em duelos individuais, uma característica que o próprio técnico Rogério Ceni já mencionou. A ausência da Copa do Nordeste e o foco em competições de maior peso significam que o Bahia não terá o que ele chama de “títulos de compensação”.

“Agora, 2026 não vai ter isso. O Bahia não vai disputar o Campeonato Baiano para ser campeão e o Bahia também não vai disputar a Copa do Nordeste. Então, o Bahia vai precisar que respostas sejam dadas em competições onde o time ainda não deu o passo à frente”, explicou o comentarista.

Cardoso alerta que a Pré-Libertadores promete ser mais complicada, com o Bahia provavelmente no Pote 2 e sem a garantia de decidir jogos em casa nas primeiras fases, o que aumenta a exigência. Para ele, se o Bahia não mostrar serviço nas competições mais importantes, a temporada de 2026 pode ser “frustrada”.

Menos jogos, mais preparo e a necessidade de reforços rápidos

Brenner Menezes, por outro lado, vê 2026 com grande otimismo, apostando que pode ser a “melhor [temporada] dos últimos três anos”. O principal motivo? A diminuição significativa no número de jogos. Ele projeta que o Bahia deve ter entre 60 e 65 partidas, bem menos que as 80 de 2025.

“Eu acredito que a temporada 2026 do Bahia pode ser a melhor dos últimos três anos, considerando que o Bahia não vai ter, pelo menos ali, os 11 jogos que teve esse ano de Copa do Nordeste — onde foi campeão — e também não vai ter boa parte dos jogos do Campeonato Baiano”, analisou Menezes.

No entanto, para que esse potencial se concretize, a primeira janela de transferências será crucial. Com o Brasileirão começando em 28 de janeiro e a Pré-Libertadores em fevereiro, Menezes espera que os reforços cheguem na reapresentação do elenco, em 5 de janeiro, para dar “embalagem” ao início da temporada.

Menezes também faz questão de destacar a evolução do clube: “O torcedor que disser que não teve evolução está indo contra os números. O Bahia tem maior número de vitórias, menor número de derrotas, o aproveitamento percentual maior do que 2024”.

A 'vantagem' de um Campeonato Baiano mais tranquilo

Caio Leony observa um benefício em o Bahia disputar um Campeonato Baiano que ele considera “tecnicamente inferior” em comparação com outros estaduais do país. Essa situação, para Leony, pode ser uma vantagem.

“O Bahia está num campeonato estadual que tecnicamente é inferior; dessa vez, eu vejo isso como benéfico. E é mais difícil para os clubes do eixo, por exemplo, que vão ter, digamos, um Corinthians e Palmeiras. Num Corinthians e Palmeiras… você coloca o time principal, pela relevância do torneio e por ter melhores equipes”, explicou Leony.

Com essa realidade, o Esquadrão poderia começar o Campeonato Brasileiro “mais oxigenado”, sem a pressão de precisar vencer o estadual ou o regional a todo custo. Isso permitiria ao time focar “no que interessa desde o início da temporada”: as competições nacionais e internacionais de maior porte.

Em resumo, o Bahia de 2026 se apresenta como um clube com menos jogos, mas com muito mais responsabilidade. A expectativa é que o time demonstre amadurecimento e competitividade onde realmente importa, transformando a redução do calendário em uma oportunidade para brilhar em palcos maiores e não apenas em “títulos de compensação”.

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