O Esporte Clube Bahia apresentou nesta sexta-feira (11) o novo terceiro uniforme da temporada. A camisa foi criada com participação direta de comunidades indígenas da Bahia, em parceria entre o clube, a PUMA e a Federação Indígena das Nações Pataxó e Tupinambá do Extremo Sul da Bahia (FINPAT).
Segundo o clube, a FINPAT esteve envolvida em várias etapas do projeto: na concepção da campanha, na elaboração do manifesto, na curadoria cultural, na articulação com as comunidades e na indicação das lideranças que participaram da produção.
A estampa da camisa é tom sobre tom e se inspira nos colares usados pelo povo Pataxó. As cores também têm significado: o azul remete às águas do Oceano Atlântico, e o dourado faz referência ao barro conhecido como Tawá, associado às riquezas da terra. Na parte de trás da peça, abaixo da gola, aparece a inscrição informada pelo clube como O Brasil sempre esteve aqui.
De acordo com o Esporte Clube Bahia, o uniforme é fabricado em poliéster 100% reciclado e conta com tecnologia dryCELL.
A produção das imagens da campanha aconteceu em territórios indígenas do Extremo Sul da Bahia e da Ilha de Itaparica, incluindo a Aldeia Kai, a Aldeia Taparica, a Aldeia Velha e a Nakiyã. Um dos nomes à frente do projeto foi a Cacica Inaiê Tupinambá, da Aldeia Taparica. Também participaram da construção da campanha Arnã Pataxó, Dário Pataxó, Mandú Tupinambá e Kirembap Tupinambá.
Para a estreia da camisa em campo, prevista para a partida contra o Remo pela 27ª rodada do Campeonato Brasileiro, segundo o ge, os jogadores vão substituir os próprios nomes nas costas por nomes de povos indígenas da Bahia, como Pataxó, Tupinambá, Kiriri e Atikum. Antes da bola rolar, lideranças indígenas devem ler o manifesto oficial da campanha no centro do gramado, e os atletas entrarão acompanhados por crianças indígenas.
Uma consultora do projeto pela FINPAT afirmou que a entidade atua como consultora cultural do processo. “A FINPAT integra este projeto como consultora cultural, garantindo que a narrativa da campanha nasça de um processo de escuta e validação com as lideranças e comunidades indígenas de diversos territórios da Bahia”, disse Ãtxuhã Pataxó, segundo o clube.
Um executivo da PUMA também comentou a parceria. “Desde o início entendemos que uma campanha sobre os povos originários só faria sentido se fosse construída ao lado de quem representa essas comunidades”, declarou Alexandre Ajoue, conforme informou o clube.
A camisa já está à venda nos canais oficiais do Bahia e da PUMA. A versão Torcedor custa R$ 369,99, nos tamanhos PP ao 4XL no modelo masculino e PP ao 2XL no feminino. A versão Jogador sai por R$ 599,99, disponível do PP ao 3XL. Já o modelo infantil Torcedor custa R$ 329,99, nos tamanhos de 8 a 16.
A apuração também identificou uma ligação regional com o tema. A Coordenação Regional Baixo São Francisco da Funai, sediada em Paulo Afonso, na Bahia, atua junto a povos indígenas da Bahia e de Pernambuco, entre eles as etnias Atikum e Kiriri, citadas entre os nomes que substituirão os dos jogadores em campo. Não há registro, nas fontes consultadas, de participação direta de comunidades de Paulo Afonso ou do entorno na criação da campanha do uniforme.







