Na quinta‑feira (28), em um ato na Cidade do México, Brasil e México assinaram dois acordos na área da saúde que podem mudar o ritmo de produção e regulação de vacinas e medicamentos na região.
O que foi assinado?
O primeiro acordo foi assinado pela Fiocruz — instituição que atua na Bahia — e prevê pesquisa, desenvolvimento e transferência de tecnologia para produtos baseados em RNA mensageiro, a mesma plataforma usada em vacinas contra a Covid‑19. O segundo é um memorando entre a Anvisa e a Comissão Federal para Proteção Contra Riscos Sanitários do México, com foco na regulação de medicamentos, dispositivos médicos, cosméticos, alimentos e bebidas, inclusive matérias‑primas.
A cerimônia aconteceu durante a missão oficial brasileira e contou com a presença do vice‑presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin.
O que isso significa na prática?
Esses acordos foram apresentados pelo governo como instrumentos para:
- ampliar a capacidade de produção regional e reduzir dependências externas;
- harmonizar processos regulatórios entre os dois países, facilitando a circulação de produtos essenciais;
- estimular trocas científicas e transferência tecnológica entre instituições brasileiras e mexicanas.
Segundo o governo, as iniciativas fazem parte do esforço para fortalecer a Nova Indústria Brasil e aumentar a autonomia das duas maiores democracias e economias da América Latina, numa estratégia para consolidar a indústria farmacêutica e os sistemas regulatórios na região.
Impacto para a Bahia
Para a Bahia, onde a Fiocruz tem atuação institucional, os acordos são vistos como uma chance de impulsionar a autonomia na produção de vacinas e terapias inovadoras. Espera‑se benefícios diretos para o avanço científico, tecnológico e para a capacitação técnica local.
Além disso, o Brasil registrou recentemente sua primeira patente nacional de plataforma para vacinas de RNA mensageiro, desenvolvida pelo laboratório Biomanguinhos, da Fiocruz — um fato citado pelo governo para reforçar o potencial produtivo nacional.
Segundo o próprio governo, os memorandos preveem trocas de pesquisa, ações de transferência tecnológica e medidas imediatas de harmonização regulatória como desdobramentos práticos desses acordos.