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Cultura

Teatro e literatura se unem em Maceió para celebrar dramaturgia ecológica alagoana

O Grupo Cena Livre apresenta espetáculo sobre o mutum-de-alagoas e lança obra que reúne textos de Ana Sofia de Oliveira, com entrada gratuita no Teatro de Arena Sérgio Cardoso.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Cultura
15 de maio, 2026 · 19:45 3 min de leitura
Portal ChicoSabeTudo
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O Teatro de Arena Sérgio Cardoso, anexo ao Teatro Deodoro, em Maceió, recebe neste sábado (16), a partir das 17h, uma programação dupla que une literatura e cena teatral. O Grupo Cena Livre promove o lançamento do livro "Trilogia Ecológica – A Dramaturgia de Ana Sofia de Oliveira" e apresenta o espetáculo "O Último Mutum-de-Alagoas". A entrada é aberta ao público, com coquetel comemorativo ao fim.

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A obra literária reúne textos dramatúrgicos de Ana Sofia de Oliveira, dramaturga reconhecida por construir narrativas que dialogam com questões ambientais, identidade cultural e memória social. O projeto-escola que originou esses trabalhos foi criado por Ana Sofia e o diretor Mauro Braga em 1989, tornando-se referência na formação teatral alagoana.

A peça encenada no evento revisita a história do mutum-de-alagoas (Pauxi mitu), ave de grande porte nativa da Mata Atlântica nordestina. O intenso desmatamento para a expansão da cana-de-açúcar, a criação de cidades e a caça indiscriminada levaram à extinção da espécie na natureza no início dos anos 1980. O espetáculo traz à tona esse processo ao longo do enredo, incluindo a presença dos povos indígenas como guardiões do território e da natureza.

Os últimos exemplares da espécie foram capturados em uma área florestal que daria lugar a uma nova usina sucroalcooleira, no ritmo acelerado de desmatamento imposto pelo Proálcool, programa nacional voltado a estimular a produção de etanol de cana. A montagem combina elementos poéticos, denúncia ambiental e referências à cultura popular alagoana para narrar essa história.

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Uma das aves mais raras de toda a América Latina e uma das três espécies extintas na natureza em todo o mundo, o mutum-de-alagoas está prestes a voltar a seu habitat original após um longo processo de conservação iniciado nos anos 1980, com perspectiva de deixar a classificação "extinta na natureza" para o nível "criticamente ameaçado". A escolha do tema pela dramaturgia de Ana Sofia, portanto, antecipa décadas o debate que hoje mobiliza cientistas e gestores públicos.

A secretária de Estado da Cultura e Economia Criativa de Alagoas, Mellina Freitas, destacou o significado do projeto. Para ela, "celebrar a dramaturgia de Ana Sofia de Oliveira é reconhecer uma trajetória construída com arte, consciência social e amor pela cultura alagoana", ressaltando que ver esse legado ganhar também o formato de livro amplia seu alcance e preserva a história para o futuro.

O espetáculo tem texto de Ana Sofia Araujo de Oliveira e direção de Mauro Braga. O elenco é formado por Igor Vasconcelos, Fran Sallys, Henrique Brito, Waleska Regina, Lucas Rocha e Lidiane Amorim. A iluminação é de Luana Rodrigues, a sonoplastia de Luciano Rodrigues, cenário e adereços de Lucas Rocha, e as músicas assinadas por Herman Torres.

O projeto é viabilizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), do Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura. A implementação da PNAB em Alagoas, por meio de editais promovidos pelo Governo do Estado, contemplou diversas linguagens artísticas e culturais. Os recursos beneficiaram projetos de música, teatro, audiovisual, literatura, cultura popular e patrimônio cultural, entre outros segmentos. Em Alagoas, a operacionalização fica a cargo da Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa (Secult).

Para o Nordeste e para o vale do São Francisco, onde a expansão canavieira também marcou a paisagem ambiental e cultural ao longo do século XX, a peça ecoa com especial pertinência. A arte teatral, nesse contexto, cumpre papel de memória e alerta sobre espécies e biomas que seguem sob pressão.

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