A Empresa Salvador Turismo (Saltur) se manifestou publicamente para esclarecer a polêmica envolvendo o corte do show da cantora Mariene de Castro durante o Carnaval de Salvador, na Bahia. O incidente, que ocorreu no Palco Multicultural, no Pelourinho, gerou um forte desabafo da artista, que chegou a declarar que não pretende mais se apresentar na capital baiana enquanto não se sentir respeitada.
O que a Saltur disse sobre o caso
Em nota divulgada nesta sexta-feira (20), a Saltur apontou que o atraso no início da apresentação de Mariene de Castro foi o principal motivo para a interrupção. Segundo a organização do evento, a cantora subiu ao palco depois do horário combinado. Mesmo assim, foi dada uma tolerância de tempo extra para a continuidade do show. No entanto, a Saltur alegou que houve uma “extrapolação do tempo”, ou seja, o show excedeu o período adicional que havia sido concedido.
A organização fez questão de explicar que toda a equipe técnica do palco, incluindo técnicos de som, iluminação, produtores, carregadores e seguranças, estava trabalhando desde as 11h da manhã, seguindo um planejamento operacional bem rigoroso. Para a Saltur, o encerramento das atividades não é apenas sobre o cronograma dos artistas, mas também sobre o respeito a esses profissionais que atuam nos bastidores e precisam cumprir horários, além das tarefas que vêm depois que os shows acabam.
A nota reforça que cumprir os horários é parte de um planejamento muito maior, que abrange desde a segurança pública, passando pela organização do trânsito (logística urbana e mobilidade) até o ordenamento geral da cidade. Essas decisões são tomadas com bastante antecedência e envolvem diversos órgãos responsáveis.
A revolta de Mariene de Castro
O caso veio à tona após o show da terça-feira (17), quando Mariene de Castro usou as redes sociais para expressar sua indignação. A cantora não poupou críticas à forma como, segundo ela, os artistas locais são tratados durante a folia momesca. Em uma postagem no Instagram, ela escreveu:
“Vocês arrumam a casa para as visitas e servem a pior comida para quem é de casa [...] Obrigada por todo DESRESPEITO que vocês me trataram nesse carnaval. Desde o primeiro dia até o último. Mas nada calará minha voz. A voz do povo é a minha voz. Eu sou EXÚ!”
No palco, mesmo depois que o microfone foi cortado, Mariene continuou cantando à capela, visivelmente emocionada e revoltada. Ela declarou na hora:
“Um desrespeito comigo e eu não aceito mais. Não se desliga o som com um artista no palco cantando”.
Em entrevista ao portal Aratu On, a artista reafirmou sua decisão drástica:
“Está decidido, enquanto a cidade e o estado não me respeitarem, eu não volto a cantar aqui”.
A polêmica reacendeu o debate sobre o espaço e o tratamento dado aos artistas locais em grandes eventos, como o Carnaval, em comparação com atrações de fora. Enquanto a Saltur defende a necessidade de seguir regras e horários por uma questão de organização e respeito aos trabalhadores, Mariene de Castro levanta a bandeira do respeito à arte e aos artistas da terra.







