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“Representação da Besta”: evangélicos se revoltam com escultura de onça com chifres exibida na COP30

Escultura da artista chinesa, que funde onça e dragão, é alvo de críticas de grupos evangélicos que a associam a símbolos apocalípticos.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Cultura
20 de novembro, 2025 · 12:00 2 min de leitura
Foto: Reprodução/Instagram/Projeto Oficina de Artes Virtual
Foto: Reprodução/Instagram/Projeto Oficina de Artes Virtual

Uma escultura monumental inaugurada recentemente em Belém, cidade-sede da COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas), tornou-se o centro de uma intensa controvérsia nas redes sociais. A obra, intitulada “Espírito Guardião Dragão-Onça”, é uma criação da artista chinesa Huang Jian e foi apresentada como um presente diplomático e cultural da China ao Brasil. Confeccionada em bronze e medindo cerca de cinco metros de altura, a estátua propõe uma fusão artística entre a onça-pintada, símbolo da biodiversidade amazônica, e o dragão, ícone de poder e prosperidade na cultura chinesa.

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Apesar da intenção da artista de simbolizar a união entre os dois países na proteção ambiental, a estética da obra gerou reações negativas imediatas por parte de grupos religiosos, especificamente do segmento evangélico. A combinação de características felinas com chifres e escamas típicas da mitologia oriental levou muitos fiéis a associarem o monumento a descrições bíblicas encontradas no livro de Apocalipse e nas profecias de Daniel. Nas plataformas digitais, publicações virais classificam a estátua como um “símbolo do engano” ou uma representação da “Besta”, citando versículos que descrevem criaturas híbridas como presságios do fim dos tempos.

Esta não é a primeira vez que obras de arte ligadas à ONU provocam esse tipo de interpretação teológica. Em 2021, uma escultura de um "alebrije" (arte folclórica mexicana) exibida na sede das Nações Unidas em Nova York, que também misturava características de onça e águia, foi alvo de críticas idênticas. No caso atual de Belém, a artista Huang Jian defende que a obra busca apenas homenagear a "ancestralidade da Amazônia" e a força da cooperação internacional, sem qualquer conotação religiosa oculta. Além desta peça, Jian também é autora da escultura “Mãe Brasil”, instalada na mesma região.

A obra "Espírito Guardião Dragão-Onça" encontra-se exposta em área pública na capital paraense, integrando o conjunto de intervenções culturais preparadas para a cúpula do clima. Até o momento do fechamento desta matéria, a Prefeitura de Belém e a organização da COP30 não indicaram qualquer intenção de remover o monumento em resposta às críticas online.

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