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Cultura

Problemas com trios elétricos no Carnaval de Salvador viram debate

Empresários explicam por que trios elétricos no Carnaval de Salvador enfrentam problemas. Alto investimento, baixa rentabilidade e a falta de uso ao longo do ano são os principais desafios.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Cultura
20 de fevereiro, 2026 · 12:10 4 min de leitura
Foto: Ascom/ PMS
Foto: Ascom/ PMS

O que aconteceu com os trios elétricos no Carnaval de Salvador este ano? Essa pergunta, levantada pelo humorista Tiago Banha nas redes sociais, abriu uma discussão importante sobre os desafios por trás do principal símbolo da festa. Empresários do setor musical e do Carnaval explicaram que o alto custo e a baixa rentabilidade são os grandes vilões, afetando a qualidade dos equipamentos.

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Os problemas começaram antes mesmo do auge da folia. No Furdunço, o trio da banda Pagod'art parou de funcionar logo no início do desfile. Dias depois, na segunda-feira de Carnaval, foi a vez do trio de Xanddy Harmonia apresentar falhas. Além desses incidentes, artistas como EdCity e Oh Polêmico precisaram cancelar suas apresentações por falta de equipamento adequado, mostrando que a situação é mais séria do que parece à primeira vista.

Investimento alto e rentabilidade baixa: O nó dos trios

Kalunga, um empresário com 40 anos de experiência no mercado da música e do Carnaval, compartilhou sua visão em um vídeo. Ele explicou que um dos motivos para a má qualidade dos equipamentos é o pouco uso ao longo do ano e os custos envolvidos:

“O trio elétrico é um equipamento que o custo que está sendo alugado não é vantajoso, não é rentável. Antigamente, quando tinha as micaretas fora de época, várias, os trios elétricos eram construídos, os trios elétricos tocavam, então, com isso, a diminuição dos carnavais fora de época também prejudicou. O investimento é alto, a rentabilidade é baixíssima, não é viável. Os donos de trio elétrico que tem por aí, tem o trio como hobby.”

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Essa realidade é confirmada por José Barreto, de 64 anos, dono dos trios Barretão há mais de duas décadas. Ele contou que manter os equipamentos em alto nível exige um investimento contínuo:

“O investimento é muito alto. Nós temos equipamento no trio de ponta. Ramificadores importados, bons alto-falantes. É até perigoso isso para a gente porque o nosso trio viaja o Brasil todo na estrada. Mas hoje, um artista de ponta que quer se apresentar bem precisa de equipamentos bons para você ter aquela voz. Tem trios que você consegue botar a voz do artista com toda a nitidez possível. Tem por trás de tudo aquilo ali um equipamento de ponta que proporciona isso. Então, acho que o trio elétrico, pelo que representa hoje para a história do Carnaval da Bahia, do Brasil, é uma das figuras mais importantes da festa.”

Por que os artistas não têm mais trios próprios?

Kalunga também lembrou que, no início dos anos 2000, muitos artistas possuíam seus próprios trios, algo raro hoje em dia. Atualmente, a única exceção é Carlinhos Brown. Irmão, proprietário do trio Dragão, explicou o porquê dessa mudança:

“O Chiclete fazia dez eventos no ano. Imagine dez eventos, com o trio exclusivo seu? Você tinha um gasto absurdo para ir para o Fortal, fazer um dia e voltar. Hoje, um exemplo, eu vou pro Fortal, faço quatro dias com Bell, pronto. Mas se não fosse Bell, os quatro dias, eu ia fazer um dia com o Léo, um dia com Cláudia, um dia com Ivete um dia com Anitta. Não é viável hoje o artista ter um trio elétrico, porque o outro artista não quer tocar no trio dele.”

Além da questão da rentabilidade, Kalunga aponta problemas na manutenção. Ele mencionou que algumas pessoas que trabalharam para o governo no ano anterior não receberam, o que dificulta o reparo de peças caras, como geradores e cavalinhos, que precisam ser trocados quando quebram, mas não foram feitos para operar em primeira marcha o tempo todo.

A exceção: Carlinhos Brown e a inovação

Em meio a esse cenário desafiador, Carlinhos Brown se destaca. Ele anunciou dois novos trios para 2026: o Mr. Brown II e o Camarote Andante, que foi reformulado. Construídos em tempo recorde – menos de um ano – pelos arquitetos e engenheiros civis Juan Franco e Ravena, os novos equipamentos prometem revolucionar o Carnaval de Salvador, na Bahia.

“É um trio sustentável, é um trio também mais leve para os convencionais. É uma verdadeira transformação. E o cara que está à frente de tudo isso aí vai ficar maravilhoso. Acho que é elevado a patamar dos dinâmicos do país a um outro nível. Temos equipamentos de última geração, mesa de som, tudo que precisa de uma dinâmica que tem de melhor que possa existir no país”, revelou Juan.

Para se ter uma ideia dos valores envolvidos, um levantamento do ano passado mostrou que o aluguel de um trio elétrico para a festa pode custar entre R$ 70 mil e R$ 500 mil, dependendo da qualidade e do tipo do equipamento (trio, mini trio ou pranchão).

Qual a solução?

Para o humorista Tiago Banha, o empresário Kalunga apresentou uma ideia para amenizar a situação:

“A minha ideia seria diminuir a quantidade de trios elétricos, porque aí seria melhor para colocar os artistas em trios melhores. Coloca dois artistas em cima do trio, eu tenho certeza que isso aí vai melhorar um pouco.”

A discussão continua, mas fica claro que, para manter a magia do Carnaval viva, é preciso um novo olhar para os custos, a manutenção e a viabilidade dos trios elétricos.

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