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Cultura

Patrimônio vivo de Alagoas, Mestra Zeza do Coco comanda roda de saberes ancestrais em Maceió no dia 24

Guardiã do coco de roda há mais de cinco décadas, a artista conduz encontro gratuito na Casa de Taipa Mestre Verdelinho dentro do projeto Cocada: Substantivo Feminino.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Cultura
19 de maio, 2026 · 12:35 2 min de leitura
Mestra Zeza do Coco em roda de coco de roda alagoano
Mestra Zeza do Coco em roda de coco de roda alagoano

Uma das maiores referências do coco de roda em Alagoas chega à Chã de Jaqueira, em Maceió, para um encontro que mistura memória, cantoria e tradição. A Mestra Zeza do Coco é a convidada da nova edição do projeto Cocada: Substantivo Feminino, marcada para o dia 24 de maio, das 15h às 19h, na Casa de Taipa Mestre Verdelinho. O evento é gratuito e aberto a todos os públicos.

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Maria José Ferreira da Silva, a Dona Zeza, nasceu em Capela (AL) e cresceu entre tapagens de casas de taipa nas fazendas da zona da mata alagoana. É patrimônio vivo do estado de Alagoas desde 2015 e dedica-se ao canto e à dança do coco de roda de raiz desde os cinco anos de idade, quando acompanhava os pais nessas lidas rurais.

Em 1975, participou da fundação do grupo de pagode "Comigo Ninguém Pode", junto com a Mestra Maria Hilda, sua sogra, com quem dividiu apresentações em festivais culturais em Alagoas, Ceará, Paraíba e Pernambuco. Hoje, ela conduz seu próprio grupo musical, levando às novas gerações danças, músicas e crenças de vertente religiosa afrodescendente.

O encontro começa às 15h com a exibição do minidocumentário Cocada: Substantivo Feminino, que registra a primeira edição do projeto — com oficinas, encontro de mestras e exibição audiovisual. Na sequência, Mestra Zeza conduz uma roda de conversa em que retoma histórias, causos e memórias de sua longa trajetória artística. A programação segue às 17h com uma roda de coco para a retomada de músicas e trupés do seu repertório autoral e do cancioneiro tradicional alagoano.

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O projeto Cocada: Substantivo Feminino já realizou edições anteriores com outras mestras da manifestação. A proposta valoriza a mulher como guardiã da tradição oral e da memória, buscando também sistematizar registros e saberes compartilhados para contribuir com um inventário cultural do coco feminino em Alagoas.

O coco de roda é uma das mais antigas danças populares do estado, de origem africana e filiada ao batuque angolano-conguense, nascida na zona fronteiriça entre Alagoas e Pernambuco, nas serras ocupadas pelo Quilombo dos Palmares, em meados do século XVIII. A manifestação atravessou gerações e hoje é preservada por mestras como Zeza, que conduz a roda com a força de uma trajetória reconhecida como referência na preservação do coco como expressão cultural.

O encerramento do evento fica por conta do ensaio aberto do Guerreiro Grande Poder, coordenado pelo Mestre Nildo Verdelinho, com participação de integrantes de sua família, amigos e artistas de Alagoas. Segundo informações divulgadas pela organização, a ação integra o Plano de Ações Sociourbanísticas (PAS), previsto no Termo de Acordo Socioambiental firmado pelo Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual e Braskem, com adesão do Município de Maceió.

As inscrições podem ser feitas pelo Instagram do Cocada Feminina (@cocadafeminina). A Casa de Taipa Mestre Verdelinho fica na Rua Prefeito Joatas Malta de Alencar, 614A, no bairro Chã da Jaqueira, em Maceió (AL).

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