O ator, diretor e dramaturgo Juca de Oliveira morreu neste sábado (21/3), aos 91 anos. Com uma trajetória profissional que se estende por quase sete décadas, o artista estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Sírio-Libanês, na capital paulista, e faleceu em decorrência de um quadro de pneumonia associado a complicações cardíacas.
O marco em O Clone
Dono de uma extensa lista de trabalhos de sucesso na dramaturgia nacional, Juca de Oliveira ficou eternizado no imaginário do público pelo papel do Dr. Augusto Albieri, em O Clone (2001). Na trama escrita por Glória Perez, o personagem foi o responsável por realizar a primeira clonagem humana da ficção televisiva.
O papel era tratado com grande valorização pelo próprio ator. Em uma entrevista concedida ao portal Metrópoles no ano de 2021, Juca refletiu sobre o impacto do projeto:
“Foi ótimo para a minha carreira profissional ter participado de uma obra-prima absolutamente fascinante para o público. É um dos meus trabalhos mais comentados até hoje.”
Consistência na TV e papéis recentes
A vitalidade artística de Juca de Oliveira permitiu que ele continuasse ativo e relevante na televisão mesmo já na casa dos 70 e 80 anos. Na última década, antes de adotar uma rotina mais reclusa e com participações focadas no teatro, o ator compôs elencos de destaque no horário nobre e em outras faixas da TV Globo.
Entre suas atuações mais recentes e elogiadas, destacam-se:
Avenida Brasil (2012): Onde interpretou o misterioso Santiago.
Além do Tempo (2015): Vivendo o Conde Vitória/Alberto.
O Outro Lado do Paraíso (2017): No papel do advogado Natanael.
Raízes na comédia e pioneirismo
Apesar de ser amplamente reconhecido por papéis densos e dramáticos, Juca também construiu uma sólida base no humor. Em seus anos de formação e consolidação na carreira artística, participou de montagens de comédia nos palcos de São Paulo.
Na televisão, marcou presença em programas humorísticos de emissoras pioneiras, como a TV Tupi, e posteriormente na TV Globo. Foi com sua veia cômica e carismática que conquistou projeção nacional interpretando o protagonista Nino, na clássica novela Nino, o Italianinho (1969).
Vida pessoal
No âmbito pessoal, Juca de Oliveira manteve uma postura discreta ao longo de sua vida. O ator foi casado três vezes. Suas duas primeiras uniões ocorreram com colegas de profissão: as atrizes Débora Duarte, com quem foi casado de 1965 a 1969, e Cláudia Mello, entre 1970 e 1971. Posteriormente, uniu-se a Maria Luiza, com quem teve sua filha mais nova.
A morte de Juca de Oliveira representa a despedida de um dos pilares da cultura nacional, cujos textos e atuações seguem como referência histórica para as artes cênicas do Brasil.








