O cenário artístico baiano e brasileiro perdeu uma de suas figuras mais singulares e vibrantes. Na noite desta sexta-feira (23), o artista plástico Aurelino dos Santos morreu aos 83 anos de idade, em decorrência de uma insuficiência respiratória. A triste notícia foi confirmada pela Ernesto Bitencourt Galeria, que representava o trabalho do talentoso artista.
Aurelino, nascido em 16 de junho de 1942, em Salvador, na Bahia, teve uma trajetória de vida que se misturou diretamente com sua arte. Ele nunca frequentou uma escola e aprendeu a escrever apenas seu próprio nome, sendo considerado um verdadeiro autodidata. Antes de mergulhar de cabeça no mundo das cores e formas, Aurelino trabalhou como cobrador de ônibus, uma fase que mostra a simplicidade de suas origens.
Apesar de um diagnóstico de esquizofrenia, sua sensibilidade encontrou na pintura um poderoso meio de expressão. Suas obras eram inconfundíveis: marcadas por um uso de cores intensas e uma forte geometrização, elas convidavam o olhar para múltiplas interpretações. Mesmo que muitos classificassem suas criações como abstratas, o próprio Aurelino infundia nelas narrativas e percepções únicas do mundo.
Ao longo de sua carreira, Aurelino dos Santos absorveu valiosas inspirações. Ele foi influenciado pelo trabalho do escultor Agnaldo Manoel dos Santos (1926–1962) e pela visão inovadora da arquiteta Lina Bo Bardi (1914-1992). Além da pintura, o artista baiano também explorou outros materiais, como a tapeçaria, mostrando sua versatilidade e curiosidade artística.
O talento de Aurelino não ficou restrito ao Brasil. Suas obras cruzaram fronteiras, sendo expostas em importantes cidades como São Paulo, no Brasil, e internacionalmente em Paris, na França, Madri e Valência, na Espanha. Essa projeção internacional solidificou seu nome como um dos grandes representantes da arte baiana.
O sepultamento de Aurelino dos Santos aconteceu neste sábado (24), no Jardim da Saudade, em Brotas, reunindo familiares, amigos e admiradores de sua arte para a última despedida.







