O cinema brasileiro perdeu uma de suas grandes estrelas. A atriz Maria Ribeiro, eternizada no papel de Sinhá Vitória no clássico “Vidas Secas”, nos deixou aos 102 anos. A notícia da partida de Maria foi confirmada por sua filha, Wilma Lindomar da Silva, que comunicou a todos pelas redes sociais no dia 29 de dezembro. Maria morava em Genebra, na Suíça, e lá se despediu da vida.
Para muitos, a imagem de Maria Ribeiro está intrinsecamente ligada à força silenciosa de Sinhá Vitória. A interpretação magistral que ela entregou em “Vidas Secas”, filme dirigido por Nelson Pereira dos Santos e baseado na obra de Graciliano Ramos, não apenas a lançou ao estrelato nacional como também a consolidou como um dos rostos mais importantes do Cinema Novo, movimento que revolucionou a sétima arte no Brasil nas décadas de 1960 e 1970. Seu trabalho nesse longa-metragem marcou para sempre sua carreira.
Da infância no sertão à estrela de cinema
A vida de Maria, nascida Maria Ramos da Silva, começou muito antes das luzes dos holofotes. Sua jornada começou em Sento Sé, no interior da Bahia, onde teve uma infância profundamente marcada pela realidade do sertão brasileiro. Ainda jovem, ela se aventurou por outras cidades, vivendo um tempo em Juazeiro, também na Bahia, e depois em Pirapora, Minas Gerais, até que, aos 15 anos, tomou a decisão de se mudar para o Rio de Janeiro em busca de novas oportunidades.
Na capital fluminense, Maria trabalhou duro em diversas áreas, passando por laboratórios farmacêuticos, fábricas e tipografias. Sua entrada no mundo do cinema, aliás, aconteceu de uma forma bastante inusitada. Ela conseguiu um emprego na Líder Cine Laboratórios, um lugar onde a magia da celuloide ganhava forma. Foi lá que, perto dos seus 40 anos e sem nenhuma experiência ou formação em atuação, Maria recebeu um convite que mudaria o curso de sua vida.
Nelson Pereira dos Santos, o renomado diretor, a chamou para estrelar “Vidas Secas”. Maria, compreensivelmente, hesitou no início. Aceitar um papel tão desafiador em um momento da vida onde a maioria das pessoas já está com a carreira consolidada era um passo gigante. No entanto, ela abraçou a oportunidade, e o restante, como dizem, é história.
Uma carreira recheada de sucessos
Embora Sinhá Vitória seja seu papel mais lembrado, a carreira de Maria Ribeiro vai muito além de “Vidas Secas”. Ela emprestou seu talento a várias outras produções que se tornaram marcos do cinema nacional. Sua versatilidade e presença de tela eram inegáveis, e ela participou de filmes que continuam a ser estudados e admirados até hoje.
- A Hora e a Vez de Augusto Matraga (1965): Outro clássico do cinema brasileiro.
- Os Herdeiros (1970): Uma obra que reflete sobre a história política do país.
- O Amuleto de Ogum (1974): Um filme com forte ligação cultural e religiosa.
- Perdida (1976) e Soledade, a Bagaceira (1976): Outras contribuições significativas.
- A Terceira Margem do Rio (1994) e As Tranças de Maria (2003): Trabalhos mais recentes que mostram sua longevidade na arte.
Maria Ribeiro deixou um legado inestimável para a cultura brasileira. Ela será sempre lembrada pela sua capacidade de dar vida a personagens complexos e por sua contribuição para um dos períodos mais férteis do nosso cinema. A atriz deixa a filha Wilma, a neta Karenine e oito bisnetos: Morgane, Marvin, Megane, Milan, Madigan, Marlon, Hokaan e Sara. Sua arte e sua história continuarão a inspirar futuras gerações.







