A energia contagiante de Margareth Menezes voltou a tomar conta do Carnaval de Salvador, na Bahia, nesta quinta-feira (12). Após um hiato de dez anos sem liderar oficialmente um trio elétrico, a cantora e Ministra da Cultura fez um retorno triunfal à frente do tradicional bloco Os Mascarados. A festa aconteceu no Circuito Dodô, que liga a Barra a Ondina, marcando um dos momentos mais esperados da folia baiana.
A volta de Margareth ao posto de puxadora de trio é ainda mais especial porque celebra os 25 anos do movimento Afropopbrasileiro, idealizado por ela. Em entrevista, a artista explicou a emoção de reassumir seu lugar e a importância do bloco na preservação das brincadeiras e fantasias do Carnaval.
"Eu cantei há muitos anos atrás e fiquei dez anos. Este ano estou voltando para puxar oficialmente um bloco, fazia muito tempo que não fazia isso. Eu vinha fazendo participações. O pessoal do bloco me pediu para voltar. E este ano é especial: 25 anos do afropopbrasileiro", contou Margareth Menezes.
Para a cantora, o Bloco Os Mascarados tem um papel fundamental na tradição da festa. Ela destacou como o bloco ajudou a transformar a quinta-feira de Carnaval em um verdadeiro dia da fantasia, incentivando os foliões a usarem suas melhores e mais criativas vestimentas.
Publicidade"A fantasia era uma coisa que estava até em desuso no Carnaval. E a quinta-feira se transformou nisso que nós estamos vendo hoje. As pessoas vêm à vontade. Somando à própria história do Bloco dos Mascarados, que tem uma trajetória de colaboração, a quinta-feira do Carnaval da Bahia se transformou na quinta da fantasia por causa do Bloco dos Mascarados", explicou a ministra.
O modelo de desfile do bloco, sem cordas, reforça a liberdade e a inclusão que Margareth tanto defende. O bloco permite que o público se misture com os artistas e a banda, criando uma experiência mais próxima e democrática. Além disso, Os Mascarados é conhecido por valorizar a música independente e artistas que, como Margareth, carregam a bandeira da autonomia artística.
Falando sobre as características que fazem o bloco ser tão único, ela reforçou:
"É um bloco que não tem cordas, com músicas independentes, artistas como eu, que são independentes também. São vários fatores para a gente festejar."
Perguntada sobre a possível vinda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Carnaval de Salvador, a Ministra da Cultura sorriu e manteve o mistério. Ela deixou claro que não tem informações confirmadas sobre a agenda do presidente, que costuma aproveitar o período de folia de forma mais livre.
"Não sei (risos). O presidente está querendo ver o Carnaval. Disseram que ele vai a Recife, talvez venha aqui, talvez vá ao Rio. O Carnaval é um tempo em que todo mundo está livre e de férias, e cada um faz o que quer, né?", brincou Margareth, mostrando que o clima de festa vale para todos.
Ao encerrar a conversa, Margareth Menezes enfatizou a grandiosidade do Carnaval brasileiro e a necessidade de apresentar essa riqueza cultural para o mundo. Para ela, o Carnaval é um festival gigante que expressa a cultura de diversas regiões do país, e essa diversidade precisa ser valorizada e mostrada internacionalmente.
O Carnaval é um evento que acontece de forma orgânica, pulsando em cada canto do Brasil. Segundo a ministra, é fundamental reconhecer essa potência e diversidade.
"O Carnaval acontece por si. A gente precisa entender que é um grande festival. Eu sempre falei isso. É onde toda cultura se expressa. Todos os lugares do Brasil têm o seu Carnaval. A gente precisa cada vez mais entender essa diversidade e mostrar isso para o mundo", concluiu.







