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Cultura

Manoel Carlos, autor de clássicos, morre aos 92 anos no Rio

Manoel Carlos, um dos maiores nomes da teledramaturgia brasileira, morre aos 92 anos. Conhecido por suas 'Helenas' e novelas como 'Laços de Família', deixou um legado imortal.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Cultura
10 de janeiro, 2026 · 23:16 4 min de leitura
Morre Manoel Carlos, autor de clássicos da teledramaturgia. ​
Morre Manoel Carlos, autor de clássicos da teledramaturgia. ​

O Brasil se despede neste sábado (10 de fevereiro) de uma de suas maiores mentes criativas. Manoel Carlos, o aclamado autor por trás de novelas que marcaram gerações e se tornaram verdadeiros clássicos da televisão brasileira, morreu aos 92 anos no Rio de Janeiro. Conhecido carinhosamente como Maneco, ele estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana, e sua partida deixa uma lacuna imensa na teledramaturgia nacional.

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Maneco foi um verdadeiro cronista da vida. Suas histórias, sempre com um toque de elegância e sensibilidade, mergulhavam nos dilemas familiares, amores complexos e questões sociais, fazendo o público se ver em cada personagem. Era impossível não se envolver com as tramas que, muitas vezes, tinham o bairro do Leblon, na zona sul do Rio, como cenário e personagem à parte.

O Legado das "Helenas" e Novelas Inesquecíveis

A marca registrada de Manoel Carlos eram as suas “Helenas”. Protagonistas femininas fortes, vulneráveis e cheias de camadas, elas eram interpretadas por grandes atrizes como Regina Duarte, Vera Fischer e Christiane Torloni. Cada Helena trazia consigo a essência da mulher brasileira, em diferentes fases da vida, enfrentando desafios e celebrando vitórias.

Entre as muitas obras que Maneco nos deixou, algumas se destacam por terem conquistado o coração de milhões e por continuarem vivas na memória afetiva do público. “Por Amor” (1997), por exemplo, chocou o país com o sacrifício de uma mãe por sua filha. “Laços de Família” (2000) abordou com delicadeza e força a leucemia e os dilemas de um amor proibido. Já “Mulheres Apaixonadas” (2003) trouxe à tona diversas faces do amor e da paixão, além de questões como violência doméstica e idadismo.

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O autor também usou suas novelas para dar voz a temas importantes e, muitas vezes, delicados, como preconceito racial, homofobia e a Doença de Alzheimer. Sua capacidade de transformar questões complexas em narrativas acessíveis e emocionantes era singular, sempre com o objetivo de educar e provocar reflexão.

A Saúde e os Últimos Dias

Nos últimos anos, a saúde de Manoel Carlos vinha se deteriorando. Ele havia sido diagnosticado com Doença de Parkinson e estava aposentado da televisão há quase sete anos, desde o fim de “Em Família” (2014), sua última novela inédita. A família já havia divulgado, no início de janeiro, uma nota informando sobre a piora de seu estado, com comprometimentos motor e cognitivo. A notícia de sua morte veio após um período de internação.

Nascido no Rio de Janeiro em 14 de março de 1933, Maneco iniciou sua carreira como jornalista. No entanto, foi na televisão que ele encontrou o espaço ideal para sua veia narrativa, estreando na teledramaturgia na década de 1970 e rapidamente se destacando pelo tom intimista e realista de suas produções. Foram mais de 40 anos dedicados à arte de contar histórias.

A Vida Pessoal e as Perdas Familiares

A vida de Manoel Carlos foi marcada por grandes alegrias e também por perdas profundas. Ele perdeu três de seus filhos ao longo da vida, um golpe que certamente moldou sua sensibilidade para abordar a dor e a superação em suas tramas. Ricardo de Almeida, ator e dramaturgo, morreu em 1988 por complicações do HIV. Manoel Carlos Júnior, diretor, partiu em 2012 após um ataque cardíaco. E Pedro Almeida, estudante de teatro, morreu em 2014, aos 22 anos, de mal súbito.

O autor deixa duas filhas, a roteirista Maria Carolina e a atriz Júlia Almeida, e três netos adultos, filhos de Manoel Carlos Júnior. Júlia, inclusive, recebeu a importante missão de conduzir o legado artístico do pai, e já dirigiu o documentário "O Leblon de Manoel Carlos", uma homenagem à vida e obra do escritor.

"Escrever novelas é uma forma de falar sobre a vida, com todas as suas dores e alegrias. Meu compromisso sempre foi com a verdade dos sentimentos."

— Manoel Carlos, em uma de suas entrevistas

Mesmo aposentado, Maneco levava uma rotina tranquila no Leblon, ao lado da mulher, Elisabety de Almeida. Ele gostava de tomar banho de sol todas as manhãs, lendo vários jornais. Sua filha Júlia contou que, embora assistisse um pouco de novelas, o pai preferia mesmo acompanhar os telejornais, mantendo-se sempre conectado com o mundo.

A partida de Manoel Carlos é um momento de luto para a cultura brasileira, mas seu vasto e rico trabalho continuará a emocionar, provocar e inspirar novas gerações, reafirmando seu status como um dos maiores mestres da nossa teledramaturgia.

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