Paulo Afonso · BA
Última hora
Operação prende 14 suspeitos em Salvador nesta manhãSTF retoma julgamento sobre marco temporal nesta tardeVitória empata em casa pela Copa do BrasilVagas de emprego no polo de Camaçari saltam 22%Salvador registra maior volume de chuva do mês
PI 637
Cultura

Lua ganha flashes de meteoros com pico das Geminídeas nesta semana

A chuva de meteoros Geminídeas, que chega ao seu pico entre os dias 13 e 14 de dezembro, oferece uma chance única de ver flashes de impacto na superfície da Lua, um verdadeiro espetáculo celeste.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Cultura
09 de dezembro, 2025 · 20:33 3 min de leitura
Fenômeno raro a olho nu, os TLPs devem ser mais frequentes nos próximos dias graças à chuva de meteoros Geminídeas. (Imagem: Nazarii Neshcherenskyi/iStock)
Fenômeno raro a olho nu, os TLPs devem ser mais frequentes nos próximos dias graças à chuva de meteoros Geminídeas. (Imagem: Nazarii Neshcherenskyi/iStock)

Um espetáculo cósmico pouco conhecido, mas fascinante, está prestes a enfeitar a nossa vizinha mais próxima: a Lua. Acontece que pequenos meteoros batem na superfície lunar todos os dias, criando brilhos rápidos que podem ser vistos da Terra. Esses eventos, chamados de Fenômenos Lunares Transientes (TLPs), prometem um show especial entre os dias 13 e 14 de dezembro, com o pico da famosa chuva de meteoros Geminídeas.

Publicidade

Especialistas explicam que esses flashes são, na maioria das vezes, resultado do impacto de meteoritos. Marcelo Domingues, astrônomo amador do Clube de Astronomia de Brasília, detalha a diferença em relação à Terra:

“Na Terra você vê o brilho do objeto caindo como forma de asteroide; na Lua — como não tem atmosfera — você vai ver o brilho do impacto no solo lunar”.
Ou seja, sem o ar para queimar o meteoro, o que vemos é a energia da batida no chão da Lua, um brilho tão intenso que chega até nós, a milhões de quilômetros de distância.

Geminídeas: A temporada de flashes lunares

Dezembro é, por natureza, um mês especial para os astrônomos amadores, mas este ano a chuva de meteoros Geminídeas eleva as expectativas. A Rede Brasileira de Observação de Meteoros (Bramon) identificou este período, entre os dias 13 e 14, como o melhor momento para tentar observar esses brilhos na Lua. Por isso, a organização lançou uma campanha nacional, incentivando a observação e o registro desses impactos lunares.

Observar esses flashes durante as Geminídeas será mais fácil por alguns motivos. Primeiro, a janela de tempo para visualização será de cerca de duas horas. Segundo, e talvez mais importante, mais da metade da Lua estará escura. Lauriston Trindade, membro da Bramon e codescobridor de chuvas de meteoros brasileiras, esclarece:

“Quando você tem uma grande porção iluminada da Lua, mesmo colocando o telescópio na região da sombra, acaba ofuscando por conta da luminosidade lunar”.
Com uma parte maior do disco lunar na sombra, o contraste será melhor, facilitando a caçada pelos pequenos pontos de luz.

Pequenos impactos, grande energia

Publicidade

Não pense que é preciso um asteroide gigante para gerar um flash visível. Lauriston explica que um asteroide com apenas um metro de diâmetro, ao colidir com a Lua, já é suficiente para ser visto a mais de 350 mil quilômetros de distância. Embora apenas 2% da energia dessa colisão se transforme em luz, a força envolvida é tão grande que o brilho é perceptível daqui da Terra.

Esses impactos regulares e fragmentos menores que atingem a Lua são o que causam os chamados flashes de impacto. O observador japonês Daichi Fujii é um exemplo impressionante de dedicação: curador do Museu da Cidade de Hiratsuka, ele já documentou mais de 60 impactos desde 2011, montando um dos maiores acervos independentes sobre esse tipo de observação.

Portanto, prepare seu telescópio ou binóculo e fique atento: a Lua pode estar nos preparando um espetáculo de luzes inesperado, cortesia dos meteoros das Geminídeas. É uma chance de testemunhar a dinâmica constante do nosso sistema solar de uma forma única.

Leia também