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Cultura

Livro revela história da 1ª fábrica suíça do Brasil, em Salvador

Obra sobre a Fábrica Imperial Arêa Preta será lançada no dia 13 de outubro no Museu Geológico da Bahia

Redação ChicoSabeTudo
11 de outubro, 2026 · 12:41 2 min de leitura

O livro Do Diamante ao Tabaco: a primeira indústria suíça no Brasil (1736-1913), da historiadora suíça Sylvie Doriot Galofaro, será lançado na terça-feira (13), a partir das 15h, no Museu Geológico da Bahia, em Salvador. A programação inclui palestra com a autora e sessão de autógrafos às 16h, segundo o Instituto Flávia Abubakir, responsável pelo evento.

A obra, publicada pela Editora Capivara, reconstitui a trajetória da Fábrica Imperial Arêa Preta, criada em Salvador em 1817 por Auguste-Frédéric de Meuron para a produção de rapé. O empreendimento é apontado como a primeira indústria suíça instalada no Brasil.

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Segundo o livro, a fábrica começou a funcionar em Ondina, perto do atual Zoológico de Salvador. Em 1823, durante a Guerra da Independência da Bahia, o local serviu de refúgio e acabou incendiado por tropas portuguesas. Depois do episódio, o governo baiano autorizou Meuron a alugar o Solar do Unhão, que foi restaurado com a ajuda do sócio Schultz e passou a abrigar a produção de rapé.

A empresa expandiu suas operações para outras regiões do país. Uma filial foi aberta no Rio de Janeiro em 1832, e uma terceira unidade começou a funcionar em Recife em 1836. Os produtos da Sociedade Meuron & Cie eram comercializados em várias partes do Brasil e também em mercados internacionais, como Londres e Paris.

A pesquisa de Sylvie Doriot Galofaro aponta que os lucros obtidos pelos empresários da época estavam diretamente ligados ao trabalho forçado. "É fundamental reconhecer que todos esses lucros não teriam sido obtidos sem o trabalho forçado", afirma a historiadora.

O livro também examina contratos de empresas ligadas a David de Pury com o Marquês de Pombal e a participação de negociantes no comércio de pessoas escravizadas, além da atuação da Companhia Geral de Pernambuco e Paraíba, estrutura na qual investidores europeus compravam ações para lucrar com o tráfico.

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A publicação reúne documentos encontrados na Europa e no Brasil, entrevistas e imagens históricas, incluindo fotografias e pinturas inéditas da coleção de Flavia e Frank Abubakir, do Instituto Flavia Abubakir. Entre os registros estão representações do Solar do Unhão feitas pelos artistas Louis Buvelot, Léon Righini e Emile Bauch.

A autora afirma que pretende localizar descendentes de pessoas que tenham conhecido a fábrica ou guardado relatos sobre seu funcionamento, seja na Bahia, em Recife ou no Rio de Janeiro. Ela já planeja um segundo volume para aprofundar os vínculos entre industrialização, escravidão e memória das comunidades ligadas a esses empreendimentos.

O evento de lançamento acontece na Avenida Sete de Setembro, 2.195, no bairro da Vitória, em Salvador, segundo informações do Instituto Flávia Abubakir.

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