A Lavagem de Itapuã, uma das festas populares mais queridas e importantes de Salvador, na Bahia, celebra nesta quinta-feira (5) seus 121 anos de muita tradição. O evento, que acontece antes da agitação do Carnaval, é um verdadeiro retrato da identidade e da história do bairro que tanto inspirou o cantor Dorival Caymmi.
Desde as primeiras horas da manhã de quinta, a alegria já tomava conta das ruas. A festa começou com a tradicional Alvorada e o Bando Anunciador, um momento em que os moradores, carinhosamente chamados de “itapuãzeiros”, se reúnem na Praça do Tamarineiro, mais conhecida como Praça Geraldão. Dali, eles seguem em cortejo até a Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Itapuã, onde o ápice da celebração acontece.
A chegada da alvorada é um espetáculo à parte, saudada com uma queima de fogos que ilumina o céu. Logo em seguida, um dos rituais mais bonitos e simbólicos da festa toma conta: a lavagem das escadarias da Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Itapuã. Este ato é feito pelas baianas, que, com suas roupas brancas e jarros de água de cheiro, espalham purificação, renovação espiritual e reverência às raízes africanas, tudo em uma bela sintonia com o catolicismo popular da região.
Homenagens e a Força da Comunidade
Este ano, a festa é ainda mais especial, pois homenageia duas figuras que dedicaram suas vidas à cultura e à comunidade de Itapuã. A primeira é Teresa Alves de Souza, uma Ekedi do terreiro Ilê Axé Oya Demim, de Lauro de Freitas. Ela é reconhecida por sua forte atuação religiosa e cultural, sendo um pilar para muitos.
O segundo homenageado é Ulisses dos Santos, que além de músico e pescador, é o fundador do Afoxé Korin Nagô. A vida de Ulisses se confunde com a luta pela preservação das tradições afro-baianas em Itapuã, um verdadeiro guardião da memória local. A organização da festa é feita pela Associação dos Moradores de Itapuã (AMI), com o apoio essencial da comunidade local, além de grupos e entidades carnavalescas.
Atrações e o Brilho da Lavagem
A programação da Lavagem de Itapuã é um verdadeiro mosaico cultural, com mais de 30 atrações que animam os participantes. Tem samba de roda para não deixar ninguém parado, a força dos afoxés, o ritmo envolvente da percussão e a melodia dos instrumentos de sopro. A tradicional água de cheiro, um elemento marcante, completa a experiência, misturando religiosidade, cultura popular e uma alegria contagiante.
O cortejo é um espetáculo visual, com blocos culturais e personagens que se tornaram ícones da festa. Um dos mais famosos é a baleia Jubarte, uma criação do artista plástico Ives Quaglia, que ao longo dos anos virou um símbolo de criatividade, identidade e memória afetiva de Itapuã. A programação, que começou às 5h da manhã, segue até as 15h, quando os últimos blocos encerram o percurso que vai de Piatã até a Praça Dorival Caymmi.
“A Lavagem de Itapuã não é apenas uma festa, é a alma do nosso bairro celebrando sua história e a força de sua gente. É um momento de purificação e de reafirmar quem somos”, disse um morador que participa da lavagem há décadas.
Atenção ao Trânsito
Para garantir que a festa aconteça com segurança e fluidez, a Secretaria de Mobilidade de Salvador (Semob) organizou um esquema especial de trânsito. Haverá interdições progressivas de algumas vias importantes entre 6h e 23h. Trechos da Avenida Octávio Mangabeira, entre a Praça de Piatã e o Largo da Cira, e da Avenida Dorival Caymmi, do retorno antes do Banco do Brasil até a região da Sereia de Itapuã, serão afetados.
Os ônibus que circulam pela região terão seus itinerários alterados, com desvios nos sentidos bairro–centro e centro–bairro. Eles usarão vias como as avenidas Paralela, Orlando Gomes e Octávio Mangabeira, além de rotas alternativas para chegar a localidades como Nova Brasília de Itapuã, Pedra do Sal e Abaeté. A Semob recomenda que os motoristas fiquem atentos à sinalização e, se possível, optem por transportes alternativos ou evitem a região nos horários de interdição.







