A cantora Ivete Sangalo virou alvo de uma denúncia no Ministério Público da Bahia (MP-BA). O motivo é a música “Vampirinha”, aposta da artista para o Carnaval de Salvador em 2026, e um vídeo que circula nas redes sociais, onde ela aparece dançando a canção com uma criança no palco.
A representação, que qualquer cidadão pode fazer ao MP-BA, argumenta que a letra da música “possuiria conteúdo considerado impróprio para a faixa etária da menor” envolvida na apresentação. O episódio aconteceu em um show na capital baiana, onde Ivete era convidada.
MP-BA apura caso envolvendo menor, mas mantém sigilo
O Ministério Público da Bahia confirmou que está investigando todas as situações que envolvem os direitos de crianças e adolescentes. No entanto, por se tratar de um menor de idade, o procedimento segue em sigilo, conforme manda a lei.
“O Ministério Público do Estado da Bahia apura quaisquer questões envolvendo os direitos de crianças e adolescentes. Esses procedimentos, conforme dispositivos legais, tramitam sob sigilo por envolver menores de 18 anos de idade.”
Atualmente, o processo está numa fase inicial. Nela, o MP-BA busca coletar informações e investigar. Eles podem ouvir pessoas, pedir documentos e solicitar outras ações para entender o que de fato aconteceu. Este procedimento é essencial para analisar se houve alguma infração – seja ela penal, cível ou administrativa – antes de decidir se vale a pena levar o caso para a Justiça.
A polêmica de ‘Vampirinha’ nas redes sociais
“Vampirinha”, que é uma composição de Samir Trindade, Luciano Chaves, JnrBeats e da própria Ivete Sangalo, causou barulho desde o início de 2026. A cantora, ao lançar a faixa no Festival Virada Salvador, descreveu a canção como uma “fuleragem”, algo que é uma tendência do verão.
Nas redes sociais, a música dividiu o público. Enquanto muitos fãs apoiaram a escolha da cantora para a folia baiana, outros acreditam que Ivete foi longe demais com o conteúdo da canção.
Críticos detonam aposta de Ivete para o Carnaval
Não foram apenas os internautas que se dividiram. Especialistas em música também expressaram fortes opiniões. O crítico musical Régis Tadeu, por exemplo, não poupou palavras ao comentar a canção em um vídeo. Ele elogiou a voz de Ivete, mas criticou a qualidade da música, dizendo que ela “baixou o nível” de trabalhos anteriores da artista.
“Meu amigo e minha amiga, eu sempre digo aqui e eu não canso de repetir, ter boa voz não significa ter bom cérebro para escolher repertório. A Ivete Sangalo é a prova viva disso, porque ela acaba de lançar esse troço horrendo intitulado ‘Vampirinha’. E se você acha que aquela música horrível do ano passado, a ‘Macetando’, era o fundo do poço, a Ivete resolveu pegar uma escavadeira industrial para provar que o poço do mau gosto musical para esse carnaval de 2026 é, na verdade, um abismo sem fim. [...] ‘Vampirinha’ é [...] uma composição anêmica que sobrevive à base de um duplo sentido tão óbvio e tão infantil que faria qualquer criança da 5ª série sentir vergonha alheia.”
Outro especialista, Mauro Ferreira, do g1, também criticou a faixa. Em sua coluna Pop & Arte, ele apontou que a música está “muito aquém do repertório” de Ivete Sangalo.
“Ouvir o registro fonográfico oficial de ‘Vampirinha’ – em single gravado ao vivo e disponível desde segunda-feira, 12 de janeiro – é comprovar a pobreza dessa música dessa música que tem elementos do pagode baiano e está assentada sobre batidas criadas por Jnr Beats, o produtor musical alagoano que ganhou notoriedade em 2025 com o sucesso do remix de ‘Febre’, música de Liniker, em ritmo de arrocha.”
Apesar das duras críticas, “Vampirinha” se mantém popular nas plataformas digitais. A música já acumula quase 2 milhões de streams no Spotify, 1 milhão de visualizações no YouTube e é bastante usada nas redes sociais.







