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Cultura

Filhos da Feira exige inclusão de blocos afro e afoxés no sambódromo

A Filhos da Feira, de Salvador, condiciona apoio ao projeto do sambódromo à inclusão de blocos afro, afoxés e infraestrutura permanente.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Cultura
18 de outubro, 2025 · 03:23 3 min de leitura
Foto: Instagram
Foto: Instagram

Filhos da Feira de São Joaquim, de Salvador (BA), nasceu em 2006 com um propósito claro: manter viva a cultura da Feira de São Joaquim e dar voz a quem faz parte dessa comunidade. No recente debate sobre o projeto do sambódromo, a escola deixou explícito que quer a inclusão de blocos afro, afoxés e escolas de samba, além de infraestrutura permanente para quem trabalha com fantasias, materiais e ensaios.

Origem e memória

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A história do grupo está ligada à ideia de resgatar práticas e laços da feira — comércio, rodas de samba e identidade comunitária. O movimento foi liderado pelo compositor Alaor Macêdo, que reuniu veteranos de agremiações como Filhos do Garcia, Juventude do Garcia, Diplomatas de Amaralina e Ritmistas do Samba. Antes da estreia oficial houve um trabalho de base: cadastros, organização e mobilização. Um colaborador chamado Liberato ajudou a registrar os feirantes.

Foi lançado o CD Abre Alas do Samba e o primeiro samba-enredo, de Guiga de Ogum, virou o hino da escola. Desde cedo, também houve ligação com práticas religiosas locais: a guarda do grupo ficou a cargo de Dona Inês, do terreiro no Largo do Tanque, que promovia festas como a do Marujo e ajudou a consolidar a presença da agremiação na comunidade.

Desfiles e desafios logísticos

Na prática, desfilar exige adaptações. O percurso do Campo Grande foi considerado inviável — cordas e a proximidade do público atrapalhavam a fluidez e o trabalho das alas. Por isso a escola priorizou o Circuito Batatinha, no Pelourinho, e apresentações no Fuzuê do circuito Orlando Tapajós (Ondina/Barra).

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Outra dificuldade foi a predominância dos trios elétricos, que reduziram visibilidade e apoio às agremiações tradicionais. A Filhos da Feira buscou alternativas de sonorização, como nano trio e prancha sonorizada. Em bons momentos a escola já reuniu mais de 100 integrantes; hoje conta com mais de 50 profissionais envolvidos nas atividades.

Ações além do carnaval

A escola não se limita ao desfile. Desenvolveu ações sociais voltadas à comunidade da feira, por exemplo:

  • agendamento de consultas e exames;
  • emissão de declarações para comprovação de endereço;
  • apoio logístico às rotinas de trabalho dos feirantes.

Em muitos casos a remuneração de músicos virou uma ajuda de custo, porque a direção sempre colocou como prioridade o impacto social e a formação cultural dos participantes — formar, preservar memória e abrir oportunidades para artistas locais.

Articulação e reivindicação pelo sambódromo

Diante das dificuldades, a Filhos da Feira se articulou com blocos afro e outras entidades culturais para dialogar com o governo do Estado. Essas mobilizações resultaram na criação de uma entidade representativa para interlocução institucional, um passo importante para garantir voz no debate.

O apoio da escola ao projeto do sambódromo foi condicionado: incluir blocos afro, afoxés e escolas de samba e oferecer infraestrutura permanente para confecção de fantasias, armazenamento de materiais e ensaios — itens essenciais para quem trabalha durante todo o ano.

Para a presidente Avani de Almeida, a agremiação funciona como espaço de formação, memória e oportunidade. Manter esse vínculo com a comunidade é a base da atuação da Filhos da Feira. Afinal, não é muito pedir que quem vive do samba tenha um lugar adequado para trabalhar e criar?

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