Ely Almeida, repórter de 77 anos, anunciou o fim do quadro Explode Coração, exibido pela TV Aratu na Bahia por cerca de 26 anos. O último episódio foi ao ar em 31 de março, durante a estreia do Bahia no Campeonato Brasileiro — partida que terminou em 1 a 1 com o Corinthians, na Arena Fonte Nova.
Como nasceu
O quadro surgiu a partir de uma ideia do próprio Ely, apresentada a Eliseu Godoy, e ganhou nome inspirado no bordão “bate coração” do narrador Miguel Messias. Veiculado dentro do programa No Campo do 4, o formato virou referência ao levar para a TV as manifestações e a emoção das arquibancadas.
Em 10 de abril de 2024, a emissora publicou nas redes sociais trechos dessas ligações em homenagem ao projeto — uma lembrança do impacto que o quadro teve entre torcedores e participantes.
Momentos perigosos e memória
Cobrir as transmissões nas praças esportivas nem sempre foi fácil. A paixão da torcida às vezes gerava situações perigosas para a equipe. Ely contou que chegou a desmaiar várias vezes durante as coberturas e descreveu quedas em cadeia que transformavam as saídas em verdadeiros “efeitos dominó”.
Nas próprias palavras de Ely: “O Explode Coração está terminando. Muito obrigado a todos, às crianças, aos telespectadores, às torcidas de todos os times e clubes da Bahia... Eu vou me despedir e parar o programa para descansar e fazer alguma coisa para o canal Explode Coração, no YouTube, mas se não der, eu paro de vez.”
Ele também relatou episódios de hospitalização: “Eu fui quatro vezes para o hospital desmaiado com oxigênio no nariz. Desmaiado, de burro na cabeça. Teve momentos que eu caía, virava um efeito dominó. Caía em cima de mim 7, 8, 9 pessoas, ficava aquela pilha de pessoas em cima de mim.”
Proteções improvisadas
Para tentar reduzir os prejuízos físicos, Ely passou a usar adereços nas saídas ao vivo: mandou fazer uma cueca de couro que usava por baixo da roupa e começou a usar um capacete da Harley Davidson com parafusos — presente de um fã — para minimizar lesões após empurrões e agressões nas primeiras temporadas.
Ele contou com humor e cansaço: depois de tantos machucados, a rotina incluía subir escadas com dificuldades e quem o ajudava em casa aplicava pomadas nos ferimentos. “Eu deitado todo machucado”, disse, lembrando os cuidados depois das coberturas.
Futuro e agradecimento
Ely avaliou a possibilidade de produzir conteúdo para um canal do Explode Coração no YouTube, mas também admitiu que pode encerrar a carreira definitivamente se o projeto não avançar. Ao se despedir, agradeceu a todos que participaram e ajudaram o quadro a se tornar uma memória afetiva entre os torcedores da Bahia.
O legado do Explode Coração fica nas cenas, nas vozes das arquibancadas e na lembrança de quem viveu aquelas noites de futebol — e Ely encerra essa fase com gratidão por quem fez parte da história.







