Famoso pelas estátuas gigantes que parecem flutuar no espelho d'água, o Dique do Tororó é muito mais do que um ponto turístico de Salvador. No aniversário de 477 anos da capital, a história revela que o local já foi uma peça estratégica de guerra, servindo como barreira natural para proteger a antiga sede da América Portuguesa contra invasores.
Segundo o historiador Rafael Dantas, entre os séculos XVII e XVIII, o Dique formava um cinturão de defesa junto com os muros e o mar da Baía de Todos-os-Santos. Durante a invasão holandesa, o sistema de águas foi fundamental para dificultar o acesso ao núcleo central da cidade-fortaleza, mostrando que a beleza do lugar nasceu de uma necessidade de segurança.
As icônicas figuras dos orixás, que hoje são o símbolo máximo do Dique, só chegaram na década de 90. As obras em fibra de vidro têm três metros de altura e foram criadas pelo artista Tatti Moreno. Elas representam a forte ligação religiosa da Bahia com as águas, transformando o antigo complexo de defesa em um santuário de fé e cultura ao ar livre.
O nome "Tororó" não é por acaso e tem tudo a ver com o barulho das águas. A região era repleta de fontes e rios que abasteciam a cidade antiga, o que rendeu a Salvador o apelido de "cidade das fontes". Com o passar dos anos e o avanço do progresso, o Dique foi aterrado e reduzido para dar lugar a grandes avenidas de escoamento.
Atualmente, o Dique do Tororó permanece como um pulmão verde cercado por árvores históricas, como sumaúmas e pau-d’arco. Mesmo com as mudanças urbanas ao redor da Arena Fonte Nova, o local resiste como um ponto de encontro onde o passado de batalhas e o presente de devoção se misturam no coração de Salvador.







