A influenciadora digital Deolane Bezerra e seu filho do meio, Kayky Bezerra, tornaram-se réus em uma ação indenizatória que tramita no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). O processo foi protocolado em novembro de 2025 por uma mulher identificada como Débora, auxiliar de eletricista, que alega ter sido lesada ao utilizar uma plataforma de jogos online divulgada pelo jovem em um grupo de mensagens.
De acordo com a petição inicial, à qual veículos de imprensa tiveram acesso, a autora afirma que chegou ao site de apostas em 2023, por meio de um link compartilhado por Kayky. Ela relata que decidiu participar do jogo por confiar na imagem pública do filho de Deolane, que, segundo a ação, fazia “publicidade ostensiva” da plataforma e destacava a possibilidade de ganhos rápidos e elevados.
Ainda segundo o processo, Débora sustenta que teria acumulado um prêmio de aproximadamente R$ 60 mil. O problema, porém, teria começado quando ela tentou sacar o valor: o sistema da plataforma teria bloqueado o resgate, impedindo a retirada do montante que considerava devido.
Acusações de publicidade enganosa e “ciclo de fraude”
Após o bloqueio, a autora afirma que procurou contato direto com Kayky para tentar solucionar o impasse. Nos autos, ela relata que o jovem a teria direcionado para outra plataforma de jogos, com a promessa de que dali conseguiria recuperar os valores por meio de saques sucessivos.
Para Débora, essa orientação teria mantido a jogadora em um “ciclo de fraude”, prolongando sua permanência em um esquema que, na visão dela, era monetizado por terceiros. A ação imputa ao filho de Deolane a prática de publicidade enganosa, com suposto abuso de prestígio, ao usar sua condição de influenciador para estimular o uso das plataformas de apostas.
A autora pede que Kayky seja responsabilizado civilmente pelo valor prometido e não recebido, sustentando que confiou na divulgação feita por ele e que teria sofrido prejuízos materiais e emocionais em razão do episódio.
Por que Deolane também é citada na ação
Embora não haja, nos relatos apresentados, indicação de participação direta de Deolane Bezerra na suposta negociação com a jogadora, a influenciadora foi incluída como ré no processo.
O motivo apontado é que, à época dos fatos narrados, Kayky ainda era menor de idade. A defesa da autora sustenta que, com base no Código Civil, pais ou responsáveis podem responder solidariamente pelos atos praticados por filhos menores, independentemente de culpa direta, em ações de natureza indenizatória.
Dessa forma, o pedido de reparação foi direcionado tanto ao filho quanto à mãe, sob o argumento de responsabilidade civil decorrente da relação de parentesco e da incapacidade relativa do jovem à época.
Valor pedido e situação atual do processo
Na ação, Débora requer uma indenização total de R$ 60.720,00. O montante, segundo a inicial, resulta da soma de:
danos materiais, referentes ao valor do prêmio que afirma ter deixado de receber;
danos morais, que ela associa à frustração, aos transtornos e à sensação de engano provocados pela situação.
O caso foi distribuído ao TJ-SP em novembro de 2025 e segue em tramitação. Até o momento, não há informação pública de sentença ou decisão de mérito sobre o pedido de indenização.
Histórico de controvérsias envolvendo jogos online e a família
A nova ação se soma a outros episódios já noticiados envolvendo Kayky Bezerra e a divulgação de jogos online. Em 2023, a coluna de Fábia Oliveira, do portal Metrópoles, revelou que Débora havia acusado o jovem de golpe em um aplicativo de jogo após relatar ter ganhado R$ 60 mil e não conseguir sacar o valor prometido. Na ocasião, ela afirmou que o filho de Deolane administrava grupos de mensagens nos quais compartilhava links para plataformas que prometiam “renda fácil” em apostas.
Na mesma reportagem, foi registrado que, depois da repercussão, Débora voltou a contatar a coluna e declarou que teria chegado à conclusão de que o link utilizado não seria originalmente de Kayky, atribuindo o problema a terceiros ligados ao sistema do jogo. Segundo o relato atualizado, ela afirmou que o rapaz ofereceu suporte para mitigar o prejuízo.
Em 2024, outra ação judicial envolvendo o nome de Kayky foi noticiada: um homem chamado Leonardo da Silva Baeto o acusou de forjar uma conversa usando sua foto, sem autorização, para dar a entender que teria lucrado com um jogo de azar, o que, segundo a ação, serviria para atrair mais usuários à plataforma. Nesse processo, Leonardo pediu R$ 15 mil de indenização por uso indevido de imagem e associação indesejada à publicidade de jogos.
Paralelamente, a própria Deolane vem sendo alvo de investigações e processos relacionados ao universo dos “joguinhos online” e apostas, o que ampliou a atenção pública e jurídica sobre contratos de publicidade e parcerias comerciais da influenciadora nesse segmento.







