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Cultura

Com 18 anos e 7 meses, cão Téo vira símbolo de afeto e longevidade nas ruas de Paulo Afonso

Animal adotado pela professora Adelina, figura do CIEPA, comove vizinhos e passantes próximo à Catedral Nossa Senhora de Fátima; colunista narra visita emocionante ao velho companheiro.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Cultura
15 de maio, 2026 · 17:31 3 min de leitura
Portal ChicoSabeTudo
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Um cão chamado Téo, com 18 anos e 7 meses de vida, tornou-se motivo de conversa e emoção em Paulo Afonso, no norte da Bahia. Animal de estimação da professora Adelina, figura conhecida do Centro Integrado de Educação de Paulo Afonso — o CIEPA —, Téo passou anos animando o gramado próximo à Catedral Nossa Senhora de Fátima, no centro da cidade, onde cativou moradores e passantes.

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O relato é do colunista e professor Francisco Nery Júnior, que divide com Adelina o amor por animais caninos. Enquanto ela cuida de Téo, Nery é tutor de Lady — também cadela, também tratada como filha adotiva. Para o colunista, os dois cães ensinam, cada um à sua maneira, valores que transcendem a convivência humana: fidelidade, cumplicidade e amor incondicional.

A visita de Nery a Téo aconteceu após uma consulta ao dentista, em endereço vizinho à casa onde o animal repousa. Ao bater à porta e anunciar sua presença, o professor encontrou um cenário que o comoveu: Téo, já sem conseguir se levantar ou enxergar, ainda reage ao som de vozes conhecidas. Ao ouvir o amigo, o cão abriu os olhos e ergueu a cabeça em gesto de reconhecimento.

"Assim ganhei o meu dia", escreveu Nery, ao narrar o momento. Para ele, a visita a um animal tão longevo e ainda capaz de reconhecer afeto foi suficiente para marcar positivamente o fim de semana.

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A longevidade de Téo chama atenção mesmo num contexto mais amplo. De acordo com especialistas em medicina veterinária, a expectativa média de vida de cães domésticos fica entre 10 e 13 anos, podendo chegar a até 18 anos em animais de pequeno porte com cuidados adequados. Os 18 anos e 7 meses de Téo, portanto, representam uma marca expressiva, fruto de dedicação e afeto contínuos por parte de sua tutora.

A professora Adelina é descrita por Nery como uma pioneira apaixonada por Paulo Afonso. O CIEPA, instituição à qual ela está ligada, é reconhecido como um dos esteios da educação técnica na região, tendo formado gerações de profissionais ao longo de décadas. Hoje, a escola funciona sob o nome de CETEPI-1 e é considerada a maior escola técnica da região, oferecendo cursos de Eletrotécnica, Informática, Mecatrônica e Segurança do Trabalho.

A Catedral Nossa Senhora de Fátima, ponto de referência geográfica e afetiva da narrativa, é um dos marcos mais antigos de Paulo Afonso. A Igreja Nossa Senhora de Fátima, em estilo neoclássico, começou a ser construída no final do ano de 1952, tendo sido formada para isso uma comissão de funcionários da CHESF. O templo tornou-se sede da diocese local e permanece como ponto de encontro da comunidade.

Para além do episódio pessoal, a história de Téo toca num vínculo que muitos pauloafonsinos reconhecem: a relação entre moradores e seus animais de companhia, cultivada ao longo de anos de convivência nas praças e ruas da cidade. Téo não era apenas o cão de Adelina — era também presença conhecida na vizinhança da catedral, um rosto familiar a quem passava por ali.

Aos 18 anos e 7 meses, já sem mobilidade plena e com a visão comprometida, Téo ainda ouve. E, ao ouvir uma voz amiga, ainda responde. Talvez seja essa a definição mais simples — e mais verdadeira — do que significa ser fiel.

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