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Circo kafkiano chega a Salvador: Caio Blat leva ao palco os artistas angustiados de Franz Kafka

Com ingressos esgotados e sessão extra adicionada, "Subversão Kafka" mistura humor negro, absurdo e crítica à condição do artista contemporâneo no Teatro Jorge Amado.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Cultura
22 de maio, 2026 · 07:08 3 min de leitura
Portal ChicoSabeTudo
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Um circo decadente, artistas à beira do colapso e uma cantora rata que pode ou não aparecer em cena. Esse é o cenário de "Subversão Kafka", espetáculo que estreou em Salvador na última sexta-feira (22) no Teatro Jorge Amado, com apresentações previstas até o domingo (24).

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Estrelado e dirigido pelo ator paulistano Caio Blat, de 45 anos, a montagem divide o palco com Pedro Machado — que substitui Ricardo Blat, afastado dos palcos por motivos de saúde. A dramaturgia é assinada por Rogério Blat, primo de Caio, e a peça adapta os contos "Primeira Dor", "O Artista da Fome" e "Josefina, a Cantora dos Ratos", de Franz Kafka, construindo uma narrativa sobre criação artística, obsessão e os limites entre talento e ilusão.

O espetáculo estreou em março deste ano em São Paulo, e Salvador é uma das primeiras cidades a receber a montagem após sua temporada de estreia. Depois de uma temporada de sucesso, com lotação máxima no teatro do Sesc Bom Retiro, a peça viaja em turnê pelo país, passando por cidades como Anápolis, Goiânia, Curitiba e São José dos Campos. Em Salvador, a procura foi tanta que com ingressos esgotados para as sessões oficiais, o espetáculo ganhou uma nova sessão extra neste domingo, 24 de maio, às 20h, no Teatro Jorge Amado.

A peça é ambientada num circo decadente, onde as narrativas mostram o ocaso de cada um dos artistas. Na encenação surgem, em paralelo à obra de Kafka, os desafios do contemporâneo. Cada personagem está oprimida pelas circunstâncias, tendo a dor como destino final: enquanto o trapezista envelhece, o jejuador se encontra desempregado e desprestigiado, ao passo que a rata Josefina depende da influência angariada junto aos seus seguidores, já que seu canto antes espanta do que encanta.

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Para Caio Blat, Kafka segue mais atual do que nunca. "Os últimos contos escritos por Kafka revelam um olhar sobre os artistas e suas dores contemporâneas. Ele antecipou sintomas da modernidade, como a superexposição e a obsolescência, que experimentamos hoje, cem anos depois", afirmou o diretor e ator. A personagem Josefina, por exemplo, remete a artistas de hoje que não cantam de verdade, com todo o disco produzido por computador e inteligência artificial — na verdade, ela é uma fraude.

A trilha sonora é executada ao vivo pelo pianista, arranjador e compositor Fernando Moura, e a peça reúne os três últimos contos de Kafka que falam sobre a condição do artista no mundo contemporâneo, confrontando a dedicação insana à perfeição artística com o talento que beira a fraude.

O espetáculo integra a 26ª edição do Catálogo Brasileiro de Teatro, uma iniciativa que realiza, por edição, 20 espetáculos do eixo Rio e São Paulo em Salvador, além de ações de formação e difusão, sendo considerado o maior projeto de circulação teatral do país. A produção conta com patrocínio do Shopping da Bahia e incentivo da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

As sessões restantes acontecem neste domingo (24), no Teatro Jorge Amado. Os ingressos custam R$ 150 (inteira) e R$ 75 (meia), e podem ser adquiridos pelo Sympla ou na bilheteria do teatro. A classificação etária é de 10 anos, e a duração do espetáculo é de 70 minutos.

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