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Cultura

Carnaval de Salvador 2026 Homenageia Samba e Lembra Escolas de Outrora

O Carnaval de Salvador em 2026 celebra o samba como tema principal, relembrando os 110 anos do gênero e o período em que as escolas de samba ditavam o ritmo da folia.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Cultura
09 de fevereiro, 2026 · 17:40 4 min de leitura
Foto: Registro cedido pelo projeto Memórias do Reinado do Momo
Foto: Registro cedido pelo projeto Memórias do Reinado do Momo

O Carnaval de Salvador vai vibrar em 2026 com uma grande homenagem ao samba, um ritmo que é a cara do Brasil e que tem raízes profundas na Bahia. A festa vai celebrar os 110 anos do primeiro registro oficial do gênero, a música 'Pelo Telefone', que nasceu de um encontro coletivo na casa da lendária Tia Ciata. Mas essa celebração vai muito além da história de uma canção: ela busca resgatar a memória de um tempo em que as escolas de samba faziam o coração da folia na capital baiana, antes mesmo do Axé Music dominar os trios.

Samba: Identidade e Resistência de Salvador

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A escolha do samba como tema, de acordo com a Prefeitura de Salvador, quer valorizar a memória da cidade e reforçar a ligação do ritmo com as muitas expressões musicais que fazem de Salvador uma referência mundial do Carnaval. O presidente da Empresa Salvador Turismo (Saltur), Isaac Edington, deixou claro o motivo da homenagem.

"O samba dialoga diretamente com a identidade de Salvador, suas raízes afro-brasileiras, a alegria, a resistência e a criatividade que marcam a nossa festa. É o reconhecimento de uma expressão que atravessa gerações e segue viva nos blocos, nas ruas e na memória afetiva da população", disse Isaac Edington.

Reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, o samba tem grandes nomes nascidos aqui, como Riachão, Batatinha, Pantera, Walmir Lima e Roberto Mendes. Além disso, a Bahia exportou suas vertentes, como o samba de roda do Recôncavo Baiano, influenciando o ritmo em outras cidades e estados, mas sempre mantendo a sua essência fincada em solo baiano.

Quando o Samba Reinava na Folia de Salvador

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Antes do Axé Music ditar o ritmo da festa, o Carnaval de Salvador já tinha outro som: o das batucadas intensas das escolas de samba. Nos anos 50, a tradição por aqui era bem parecida com o que acontecia no Rio de Janeiro e em São Paulo, com um Carnaval para ser apreciado, onde a beleza estava em ver escolas como Diplomatas de Amaralina, Juventude do Garcia, Bafo da Onça, Filhos do Tororó e Sambistas do Morro desfilando com pompa e alegria pela cidade.

A Luta e a Resistência das Escolas de Samba Atuais

Apesar da homenagem ao gênero, as escolas de samba de Salvador encaram um desafio. Em 2025, o portal Bahia Notícias trouxe à tona essa história com o especial 'Samba que existe e resiste', mostrando a força e a luta dessas agremiações e do samba de raiz na Bahia. A historiadora e mestra Caroline Fantinel, entrevistada no especial, explicou como essa tradição, aos poucos, perdeu os holofotes e abriu espaço para um novo formato de festa.

O especial também ouviu representantes das escolas que ainda existem e lutam para manter a chama acesa na capital baiana, mostrando que o Carnaval é muito mais do que só trio elétrico.

  • Avani de Almeida, da Filhos da Feira: "É necessário pensar no samba como tema do Carnaval não apenas os blocos de camisa, temos muitas expressões de samba aqui em Salvador que precisam ser valorizadas. Tenho medo e acho que as escolas de samba e outros estilos serão jogados um pouco para baixo do tapete, acho que o samba de camisa vai se sobressair, por ter mais poder."
  • Nailton Maia, gestor da Unidos de Itapuã: "O samba precisa voltar para o lugar onde ele merece aqui em Salvador."

Até mesmo a caçula entre as escolas, a G.R.E.S. Diamante Negro, do bairro Novo Marotinho, comandada pelo jovem Matheus Couto, com cerca de 60 pessoas envolvidas, mostra que o samba ainda pulsa forte entre as novas gerações, acreditando que as escolas vão reconquistar o destaque que merecem na Bahia.

Abertura com Cantores, Não Escolas

No entanto, um temor das escolas de samba foi confirmado: elas não terão espaço na abertura oficial do Carnaval. O espetáculo, organizado pela Prefeitura de Salvador e dirigido por Larissa Luz e Gil Alves, será dedicado aos cantores que fizeram e fazem o samba. Nomes como Nelson Rufino, Batifun (com participação de Fernando Rufino), Mariene de Castro, Márcio Victor, Malê, Ganhadeiras de Itapuã, Roberto Mendes, Edil Pacheco, Taian Riachão, Gal do Beco, Juliana Ribeiro e Ju Moraes estão confirmados para a grande festa.

A homenagem ao samba no Carnaval de 2026 é um reconhecimento importante da Prefeitura de Salvador à riqueza cultural do gênero. Mas o desafio permanece para que a história e a contribuição das escolas de samba, que um dia foram a alma da folia na cidade, também recebam o devido destaque, garantindo que o tema se reflita em todas as suas belas e vibrantes expressões.

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