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Cultura

Cabeleireiro raspa o próprio cabelo para apoiar jovem com câncer e emociona nas redes

Conheça a história de Ana Julia e o gesto de seu primo cabeleireiro que se tornou símbolo de apoio durante o tratamento contra o linfoma de Hodgkin.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Cultura
24 de março, 2026 · 14:30 3 min de leitura
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Aos 29 anos, a analista administrativa Ana Julia Bacher vivencia uma dualidade de experiências intensas: a maternidade recente, com uma filha de seis meses, e o enfrentamento de um diagnóstico de linfoma de Hodgkin. Durante o processo de quimioterapia, uma decisão prática e simbólica — a de raspar o cabelo — transformou-se em um registro de apoio familiar que ganhou repercussão nas redes sociais.

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O responsável pelo corte foi seu primo, o cabeleireiro Luiz Agus, de 33 anos, que a acompanha profissionalmente há cerca de uma década. No momento em que realizava o procedimento em Ana Julia, Luiz decidiu, de forma espontânea, passar a máquina também em seu próprio cabelo.

A analista descreveu a sensação ao ser surpreendida pelo gesto:

"Quando ele raspou a cabeça foi uma surpresa, eu não esperava, foi mais emocionante ainda. Me senti acolhida por ele naquele momento e que não estava só. Todo mundo fala que cabelo cresce, mas ninguém raspa a cabeça sem estar doente, né? Eu pelo menos nunca vi ninguém raspar a cabeça por raspar", afirmou Ana Julia.

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Para Luiz, a atitude foi motivada pela empatia e pelo desejo de oferecer conforto à prima em um momento de vulnerabilidade.

"Tive a ideia de raspar exatamente na hora que raspei o dela, quando vi ela careca. Ela é uma pessoa que sempre amou o cabelo e eu por vaidade não tirava o meu para mostrar minha calvície, e pensei 'por que não'? É uma [atitude] de carinho, algo que o mundo está precisando, se colocar no lugar do outro", comentou o cabeleireiro.

O diagnóstico e o tratamento

A descoberta da doença ocorreu de forma incidental. Durante a licença-maternidade, ao realizar exames de rotina necessários para o seu retorno ao trabalho, um raio-x de tórax indicou uma mancha. Após descartar hipóteses de pneumonia e tuberculose, uma biópsia realizada em São Paulo confirmou o linfoma de Hodgkin.

Apesar do impacto inicial, a paciente ressaltou a importância da confiança na equipe médica:

“Não é fácil receber uma notícia dessas, eu perdi o chão. Só que falei: 'Vamos enfrentar, tem cura'. O médico me deixou muito segura”, relatou.

O tratamento consiste em ciclos de quimioterapia a cada 21 dias. Segundo Ana Julia, a rotina de cuidados com a filha pequena e a religiosidade são seus principais pilares de sustentação.

“O meu apoio é, com certeza, a minha filha e Deus. No dia a dia, cuidando dela, aquele sorriso me dá força. Às vezes, nem dá tempo de pensar na doença", explicou.

Decisão e perspectiva

A perda de cabelo, um dos efeitos colaterais mais visíveis do tratamento, começou cerca de 15 dias após a primeira sessão.

“Começou a cair em mechas. Eu não queria ficar sofrendo vendo aquilo, então decidi raspar. Chorei muito, foi uma das decisões mais difíceis", relembrou Ana Julia.

Atualmente, ela mantém uma perspectiva otimista sobre o processo de cura e busca transmitir essa visão a outras pessoas que possam estar passando por situações semelhantes.

“A mensagem que eu deixo é que Deus é maior que tudo. Não é fácil, mas é uma fase. Tem tratamento, tem cura. É confiar, ter fé e não deixar nada nos abalar, porque tudo na vida passa", finalizou.


Linfoma de Hodgkin

O linfoma de Hodgkin é um tipo de câncer que se origina no sistema linfático, uma parte crucial do sistema imunológico composta por órgãos, vasos e gânglios que filtram o excesso de líquido e produzem células de defesa.

  • Sintomas comuns: O surgimento de linfonodos (ínguas ou caroços), geralmente indolores, em regiões como pescoço, axilas e virilha. Outros sinais incluem febre, perda de peso sem motivo aparente, fraqueza e aumento do volume abdominal.

  • Diagnóstico: De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), a confirmação é feita por meio de biópsia, onde se retira uma amostra do tecido afetado para análise laboratorial.

  • Prognóstico: A doença é conhecida por apresentar altos índices de cura quando tratada adequadamente.

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