O cantor Bell Marques não escondeu a sua frustração no último domingo (15) durante o Carnaval de Salvador, na Bahia. Um grande engarrafamento de trios elétricos no circuito Dodô (Barra-Ondina) abalou a alegria do Bloco Camaleão, liderado pelo artista. O problema teve origem em uma falha técnica no trio do Olodum, gerando um efeito dominó que paralisou a folia e deixou Bell visivelmente incomodado.
Após cerca de três horas de percurso, ainda nas proximidades do Farol da Barra e próximo ao praticável da TVE, Bell Marques fez um desabafo ao apresentador Raoni Oliveira. O cantor, conhecido por sua energia inesgotável, garantiu que tinha repertório para tocar "até amanhã de manhã" e que sua preocupação não era com ele mesmo, mas com os outros trios e foliões que vinham na retaguarda.
"Quem vem atrás vai pegar um perrengue terrível", lamentou Bell, demonstrando empatia com a situação dos colegas e do público que aguardava a passagem dos blocos.
Bell Marques ressaltou a importância do movimento contínuo de um trio elétrico para a dinâmica do Carnaval. Segundo ele, um bloco como o Camaleão, que arrasta multidões, não pode simplesmente parar. A interrupção quebra o ritmo e a energia tão características da festa momesca.
"Nós temos simplesmente o maior bloco do Carnaval, e eu tenho que andar. Não dá pra andar e parar. Esse bloco é uma locomotiva, ele anda e tem que se impulsionar", explicou o cantor, usando a metáfora para ilustrar a necessidade de fluidez no circuito.
Apesar de sua vasta experiência em tantos Carnavais, Bell Marques expressou que este ano parecia ter sido particularmente complicado. "Todos anos acontecem muitas coisas, mas esse ano aconteceu muito mais coisa", pontuou, refletindo um sentimento de que os imprevistos foram além do habitual.
O artista fez questão de frisar que, embora se divirta muito em cima do trio, quem realmente sentia o peso do atraso eram os foliões, que investem tempo e dinheiro para curtir a festa. Ele mencionou não saber os detalhes exatos do que ocorreu com o Bloco do Olodum – que chegou a passar pelo Cristo sem tocar, a pedido da Polícia Militar –, mas compreendia que problemas acontecem.
"Lá na frente eles devem estar com muitos problemas, não sei quais são os problemas. Mas com certeza absoluta estão tentando resolver. Mas quando acontece coisas desse tipo, foge do nosso controle e a gente fica sem saber como resolver. [...] Eles não estão fazendo isso propositalmente, de jeito nenhum", afirmou Bell, mostrando solidariedade e compreendendo que imprevistos são parte do espetáculo, mesmo que causem transtornos.
A situação evidenciou os desafios logísticos de um evento da magnitude do Carnaval de Salvador, onde um pequeno problema em um ponto pode gerar grandes impactos em toda a estrutura do circuito. A fala de Bell Marques, um dos ícones da festa, serve como um alerta para a complexidade e a necessidade de coordenação impecável para que a alegria dos foliões não seja prejudicada.







