O vocalista do BaianaSystem, Russo Passapusso, veio a público para falar sobre a polêmica envolvendo a apresentação da banda no luxuoso Camarote Salvador durante o Carnaval de 2026. Em uma conversa com a imprensa nesta quinta-feira (22), o artista defendeu a participação do grupo como uma ação importante de ocupação de espaço para artistas negros, mesmo em um ambiente tradicionalmente associado a um público de alto poder aquisitivo.
O anúncio da banda no Camarote Salvador, conhecido pelos abadás que chegam a custar mais de R$ 4 mil por dia, surpreendeu e gerou muitas discussões entre os fãs. Isso porque o BaianaSystem é amplamente reconhecido por suas letras críticas e por sua forte ligação com o Carnaval de rua e os foliões que não pagam para pular. A surpresa do público, segundo alguns, vinha do contraste entre a postura do grupo e o ambiente elitizado do camarote.
Uma Reflexão sobre Territórios e Mensagens
Russo Passapusso explicou que a banda sempre adapta seus shows e mensagens ao local onde se apresenta. Ele citou exemplos de projetos como o “Sambaqui”, na Ilha de Itaparica, e o “Baile da Pirataria Sulamericano Show”, no Memorial da América Latina em São Paulo, mostrando que cada palco tem sua particularidade.
“A gente entende o território que a gente vai tocar, mas a gente tem shows temáticos. Nesse território do Camarote Salvador a gente também tem um show especial a fazer, uma mensagem também especial a fazer. É muito importante a gente estar ali com Lazzo, com Olodum, é muito importante saber que tem DJs pretos que vão tocar no espaço também, a gente pensa muito nisso, na ocupação.”
Para o cantor, a presença de artistas como Lazzo Matumbi, o grupo Olodum e DJs negros no mesmo espaço reforça a ideia de que a arte e a cultura afro-brasileira devem e podem ocupar todos os palcos, independentemente do perfil do público ou do custo do ingresso. Ele destacou a importância de mostrar essa diversidade e de ter vozes negras em evidência em locais que, muitas vezes, não refletem a pluralidade cultural do Brasil.
Entre Críticas e Autocríticas: Um Laboratório Musical
Russo também fez questão de agradecer as reflexões e questionamentos que vieram do público. Para ele, essa troca é fundamental para o amadurecimento da banda. Ele revelou que o próprio BaianaSystem se debruçou sobre o convite e fez uma autoanálise antes de aceitar.
“É um laboratório, a gente não está certo, a gente não está errado, a gente está experimentando a nossa música em vários lugares, entende? Eu entendo também as reflexões do público e quero agradecer a todas as reflexões do público, a gente entende ouve isso e a gente é feito isso. Inclusive, a gente se autocritica. Antes de a gente ouvir o que o público acha a gente já está se gritando na frente do espelho. Vamos ver o que vai dar.”
Essa postura mostra a busca constante da banda por experimentar e levar sua música a diferentes audiências, entendendo que cada apresentação é uma chance de diálogo e aprendizado. Eles enxergam a participação no Camarote Salvador, em Salvador, na Bahia, como mais um passo nessa jornada de explorar novos “territórios musicais”.
BaianaSystem no Carnaval 2026: Muito Além do Camarote
Apesar da discussão sobre o Camarote Salvador, o BaianaSystem terá uma agenda cheia e diversa no Carnaval de 2026, garantindo sua presença em diferentes pontos da festa. O grupo se apresentará no camarote no dia 12 de fevereiro, em um show inédito ao lado de Lazzo Matumbi, com promoção da Billboard Brasil. Na mesma noite, o Olodum também sobe ao palco.
Para os fãs do Carnaval de rua, o BaianaSystem não vai deixar ninguém parado. O tradicional Navio Pirata, para o folião pipoca, retorna ao circuito Dodô (Barra-Ondina). Além disso, a banda fará a festa no Furdunço, no dia 7 de fevereiro, e levará sua energia para o Campo Grande em duas datas: 14 e 17 de fevereiro. Assim, o grupo reforça seu compromisso com todos os tipos de folião, do camarote à pipoca, espalhando sua mensagem por toda a capital baiana.







