Há exatos 15 anos, um time do Nordeste marcava seu nome na história do futebol de base brasileiro de uma forma que ninguém mais da região conseguiu repetir. O Esporte Clube Bahia, conhecido carinhosamente como Esquadrão, fez a melhor campanha de um time nordestino na Copa São Paulo de Futebol Júnior, chegando à grande final em 2011.
Mesmo com 56 edições do torneio já realizadas, o feito do Bahia permanece único: foi a única equipe do Nordeste a disputar a decisão da Copinha. Naquele ano memorável, o tricolor de Salvador, na Bahia, chegou perto de levantar a taça, mas acabou perdendo para o Flamengo em uma partida emocionante.
Uma jornada inesquecível rumo à final
A caminhada do Bahia em 2011 começou no Grupo R, onde enfrentou times como América Mineiro, Taboão da Serra e Noroeste. O Esquadrão mostrou sua força desde o início, conquistando vitórias expressivas contra o Noroeste (1 a 0) e o Taboão da Serra (4 a 0). A única derrota na fase de grupos foi para o América-MG, um prenúncio do que viria mais tarde.
As fases eliminatórias foram um verdadeiro teste de fogo para os jovens atletas. Na segunda fase, o Bahia superou a Portuguesa por 2 a 1. O grande clássico nordestino veio nas oitavas de final, quando o Esquadrão eliminou o rival Vitória nos pênaltis, após um empate de 1 a 1 no tempo normal. A sequência de vitórias continuou nas quartas, com um placar de 2 a 1 sobre o Santos, e nas semifinais, onde reencontrou e venceu o América Mineiro, também por 2 a 1, garantindo sua vaga na decisão.
A grande decisão no Pacaembu
A final foi disputada no tradicional Estádio do Pacaembu. O Bahia saiu atrás do placar logo aos 7 minutos, com um gol de Frauches para o Flamengo. Mas o time baiano não se entregou e empatou ainda no primeiro tempo, aos 30 minutos, com Rafael Gladiador cobrando um pênalti com categoria. A esperança do título estava viva. No entanto, na segunda etapa, Negueba marcou de pênalti para o time carioca, selando a vitória do Flamengo e o título da Copinha.
Recebidos como heróis em Salvador
Apesar da derrota na final, a recepção aos jogadores do Bahia em Salvador foi emocionante e mostrou o tamanho do feito. Mais de cem torcedores esperavam a equipe no aeroporto, celebrando a campanha histórica. Rafael Gladiador, artilheiro do time com seis gols na competição, expressou sua surpresa e gratidão na época:
“Imaginávamos que teríamos o apoio. Mas essa torcida é maravilhosa e, como sempre, surpreendeu a todos. Ficou marcado em todos nós.”
O impacto daquela campanha foi tão grande que, até hoje, ela é lembrada como um marco. Outros times nordestinos chegaram perto do feito do Bahia, alcançando as semifinais do torneio: o próprio Bahia em 2013 e o Vitória em 1993. Contudo, a glória de disputar uma final de Copinha continua sendo um privilégio exclusivo do Esquadrão na região, um legado que inspira novas gerações e demonstra a força do futebol nordestino.







