O governo federal incluiu na proposta de Orçamento de 2026 a previsão de aumento do salário mínimo para R$ 1.631 a partir de janeiro do próximo ano. O valor representa um reajustede R$ 113 sobre os atuais R$ 1.518 e poderá beneficiar diretamente 59,9 milhões de brasileiros, entre trabalhadores, aposentados e beneficiários de programas sociais.
A alta proposta corresponde a 7,44%, resultado da combinação da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulada até novembro de 2024 e do crescimento de 3,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2024. O valor definitivo, no entanto, só será confirmado em dezembro de 2025, quando o INPC for atualizado.
Segundo cálculos oficiais, cada R$ 1 acrescentado ao salário mínimo gera impacto de cerca de R$ 430 milhões nas contas públicas. Dessa forma, o reajuste previsto deve acrescentar aproximadamente R$ 34 bilhões às despesas da Previdência Social, que já ultrapassam a marca de R$ 1 trilhão ao ano.
Além de corrigir a renda de trabalhadores remunerados pelo piso, o valor também ajusta automaticamente benefícios como o Benefício de Prestação Continuada (BPC), o seguro-desemprego, o abono salarial e o PIS-Pasep. Aposentadorias e pensões pagas pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) também acompanharão o novo patamar.
O reajuste, por outro lado, pressiona os gastos da União e reduz a margem para investimentos e políticas públicas discricionárias, em um cenário em que as despesas obrigatórias já representam mais de 90% do Orçamento.
O projeto de lei orçamentária agora será analisado pelo Congresso Nacional. O valor final do salário mínimo para 2026 será definido até dezembro, após a divulgação oficial do índice de inflação acumulada.