A Festa dos Palhaços do Rio Vermelho virou uma das tradições do verão em Salvador, na Bahia, e completou 15 anos em 2025. O encontro começou pequeno e hoje reúne gente de todas as idades — por isso virou alvo de uma proposta da Câmara Municipal para ser reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Município.
Origem e crescimento
Tudo começou em 1986 como uma brincadeira de amigos no bairro. A presidente do Instituto Artístico e Sociocultural Palhaços do Rio Vermelho, Lúcia Menezes, uma das idealizadoras, lembra o começo humilde: “Em 86, quando a gente se juntou com o Rui Santana, que é meu irmão e foi o criador dessa festa, eram 20 pessoas, amigos, irmãos, na minha casa fazendo esse movimento…”.
Ao longo dos anos o grupo foi crescendo: 20, 40, 80, 120 pessoas — até atingir milhares. Lúcia diz que ver público de 5 mil, 8 mil, 10 mil ainda dá aquele frio na barriga.
Como é o desfile
O desfile, organizado pelo instituto, acontece no penúltimo sábado antes do Carnaval. É um cortejo gratuito, sem cordas, marcado por marchinhas, pernas de pau, malabarismo e performances. Em 2010, a participação nos Mascarados ajudou a mostrar o alcance maior que a festa vinha tendo.
O público também mudou: antes predominavam pessoas com mais de 50 anos; hoje aparecem crianças, jovens e coletivos do interior do estado. Para atender tudo isso, a organização mobiliza mais de 500 pessoas em funções como recepção de ônibus, alimentação, vestiário e estacionamento, com voluntários e prestadores remunerados.
Impacto e reconhecimento
Além de entretenimento, a festa movimenta o comércio local: venda de fantasias, adereços, ambulantes e bares se beneficiam. A inclusão no calendário oficial da cidade gerou o Dia Municipal do Desfile dos Palhaços do Rio Vermelho, o que, segundo o instituto, pode facilitar logística e acesso a apoio financeiro municipal.
Se for reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Município, a medida garantiria a salvaguarda da manifestação e promoveria benefícios como:
- a proteção e salvaguarda do patrimônio;
- a conscientização local, nacional e internacional sobre a importância do patrimônio cultural imaterial;
- a cooperação e a assistência internacionais.
Desafios e planos
A trajetória não é só festa: a organização já enfrentou dificuldades financeiras periódicas. Lúcia admite que chegou a usar recursos pessoais para custear parte das despesas e resume a persistência do movimento: “São 15 anos de resistência, nós somos resistentes e como eu digo sempre eu não largo o osso.”
Apesar dos apertos, o instituto pretende ampliar ações sociais ligadas ao movimento, com foco em educação, esporte e qualificação profissional — por exemplo, capacitação de costureiras e outras iniciativas voltadas à comunidade.
No fim, o que era uma reunião de amigos virou uma celebração que mistura memória, brincadeira e economia local. E fica a pergunta: se uma festa assim já faz tanto por um bairro, o que poderia acontecer com apoio estruturado e reconhecimento oficial?