A Polícia Federal identificou uma possível rota de fuga do ex-presidente Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar em Brasília. Segundo estudo baseado em imagens de drones, ele poderia sair pelos fundos da residência, acessar casas vizinhas e deixar o condomínio sem ser detectado.
Vulnerabilidade detectada
O relatório indica que os muros laterais são vigiados de forma constante, mas a área do jardim, nos fundos, não tem monitoramento adequado. A brecha abriria espaço para que Bolsonaro alcançasse residências vizinhas e embarcasse em veículos não revistados na portaria.
Na avaliação dos investigadores, a tornozeleira eletrônica não impediria uma movimentação rápida até a embaixada dos Estados Unidos, localizada a cerca de dez minutos do condomínio.
Julgamento no STF aumenta preocupação
O risco ganha peso às vésperas do julgamento de Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal, marcado para 2 de setembro. Ele responde por tentativa de golpe de Estado, organização criminosa armada e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. As penas podem ultrapassar 30 anos.
Além disso, a PF encontrou em seu celular uma minuta de pedido de asilo político à Argentina, redigida em fevereiro de 2024. O documento solicitava refúgio ao presidente Javier Milei em caráter de urgência.
Atuação internacional de Eduardo Bolsonaro
O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) também aparece em investigações. Conversas obtidas pela PF revelam articulação nos Estados Unidos para pressionar contra o Judiciário brasileiro. Em mensagens, ele antecipava ao pai a possibilidade de sanções ao ministro Alexandre de Moraes, no âmbito da Lei Magnitsky. Duas semanas depois, o governo americano aplicou as medidas contra o magistrado.
Segurança reforçada em Brasília
Diante do risco, Moraes determinou o monitoramento integral da residência pelo sistema prisional do Distrito Federal. Desde 27 de agosto, agentes descaracterizados vigiam o imóvel 24 horas por dia.
A decisão estabelece que a vigilância deve ocorrer sem exposição indevida, evitando indiscrição midiática ou constrangimento aos vizinhos.
Divergência sobre vigilância interna
A PF pediu presença permanente de agentes dentro da casa, mas a Procuradoria-Geral da República discordou. O procurador-geral Paulo Gonet afirmou que a prisão domiciliar e a vigilância externa são suficientes, embora tenha defendido reforço nas entradas do condomínio.
Alerta político e novo contexto
O reforço da segurança ocorreu após o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) relatar ao STF informações sobre possível tentativa de fuga. Ele destacou a proximidade entre o condomínio e a embaixada americana, afirmando que a entrada no local poderia gerar impasse diplomático.
Julgamento inédito
O processo no STF terá sessões até 12 de setembro, com até 27 horas de julgamento. Além de Bolsonaro, outros sete réus serão julgados, entre eles ex-ministros Walter Braga Netto, Anderson Torres e Augusto Heleno, além do ex-ajudante Mauro Cid.
Mais de 3.300 pessoas se inscreveram para acompanhar presencialmente as sessões, em um caso considerado histórico: é a primeira vez que um ex-presidente brasileiro enfrenta julgamento por tentativa de golpe de Estado.