A Delegacia Especializada do Meio Ambiente (Dema), da Polícia Judiciária Civil, representou pela prisão do homem que aparece em imagens mantendo relação sexual com uma cadela. O vídeo circulou esta semana nas redes sociais no Mato Grosso e casou revolta na sociedade e em diversas Ongs de proteção aos animais.

O rapaz das imagens é um universitário, já identificado, morador de um residencial, em Cuiabá, que deverá responder por crimes de maus tratos e associação criminosa. Ele já foi indiciado nos delitos praticados.

A Polícia Civil acredita que o acusado seria membro de um grupo de zoófilos - pessoas que têm atração e envolvimento sexual com animais de outras espécies. Os integrantes desse grupo ainda estão em processo de identificação.

O delegado Gianmarco Paccola Capoani informou que a Especializada tomou conhecido dos fatos na tarde de quarta-feira (19), via vídeo que circulou no aplicativo WhatsApp e notícias veiculadas na imprensa.

"Imediatamente iniciamos as diligências para identificação da pessoa do vídeo. Os trabalhos se prolongaram por toda a noite de ontem até a manhã desta quinta-feira (20), com a representação do pedido de prisão do rapaz, que não foi localizado pelas equipes policiais", disse o delegado.

Nas diligências, a Polícia Civil recebeu informações de que o rapaz, após ter a notícias de seus vídeos "vazado" nas redes sociais e tomar conhecimento de que era procurado pela Polícia, teria fugido de sua casa, por volta das 18 horas, de quarta-feira (19).

 

No pedido de prisão, o delegado ponderou a repercussão social das "cenas criminosas filmadas pelo próprio indiciado e publicadas posteriormente nas redes sociais, que geraram repugnância maciça na sociedade", inclusive extrapolando os limites locais.

O delegado também analisou os comentários das reportagens dos cidadãos, que segundo ele, ficaram "chocados e estarrecidos com os fatos".

"São dezenas de apelos sociais demonstrando extrema aversão à prática delitiva. Vislumbramos inclusive que algumas pessoas estão tão revoltadas que chegaram a proferir ameaças contra o autor dos fatos", pontuou.

Sobre os indícios de associação criminosa, o delegado considerou o fato das investigações desenvolvidas pela Polícia Judiciária Civil, por meio da equipe da Delegacia do Meio Ambiente, terem recebidos informações referente ao indiciado, de que ele seria membro de um grupo de zoófilos.

"Essas pessoas teriam por prática ilícita o contato físico com animais e, na sequência, a filmagem de tais atos e sua especulação do referido material, que circularia entre os indivíduos do grupo", explicou.

Uma testemunha localizada nas diligências da Dema confirmou indícios de envolvimento de outras pessoas na prática criminosa.  Também há postagens de redes sociais, vinculadas ao indiciado, além de outras fotografias (animais) ligadas a mais indícios de ilícitos penais, como uma conta denominada ezoo.zoo, que aparece como seguidora do rapaz.

"Chama a atenção tal circunstância pela denominação da conta, suspeita de abrigar outro integrante da associação", disse o delegado Gianmarco Paccola.

Por fim, na representação, o delegado reforça a gravidade dos fatos.

"Além da proteção integral à fauna, no crime de associação criminosa é a paz pública. Esta, conforme a doutrina, é entendida como o necessário sentimento de tranquilidade e segurança coletiva que a ordem pública deve proporcionar", argumenta.

Conforme Gianmarco Paccola, "trata-se um fato que abalou o sentimento social, e certamente, além das questões criminais aqui investigadas, é certo que deverá haver paralelamente sanções de reparação de dano extrapatrimonial ambiental".